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Conferência dos Oceanos: tudo a postos para salvar os mares e proteger o futuro

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De  Euronews
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Tudo a postos para a Conferência dos Oceanos da ONU, em Lisboa
Tudo a postos para a Conferência dos Oceanos da ONU, em Lisboa   -   Direitos de autor  AP Photo/Armando França

Na véspera do início da Conferência dos Oceanos em Lisboa, o ministro português dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho e o subsecretário geral dos Assuntos Económicos e Sociais da ONU, Liu Zhenmin, participaram na cerimónia do hastear da bandeira portuguesa e das Nações Unidas, no local do evento.

A cerimónia marcou o arranque oficial dos eventos associados à conferência.

João Gomes Cravinho disse: "Como um país na linha da frente dos oceanos voltado para a discussão multilateral, estaremos entre aqueles que apelam a um objetivo autónomo dedicado ao oceano, SDG-14, que se propõe agora conservar e utilizar de forma sustentável os recursos dos oceanos".

Liu Zhenmin afirmou: "Na próxima semana iremos trabalhar arduamente e em conjunto para levar a nossa conferência oceânica a uma conclusão bem-sucedida a fim de cumprir o nosso compromisso de salvar o nosso oceano e salvar o nosso planeta".

A Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, coorganizada pelos governos de Portugal e do Quénia visa promover uma série de soluções inovadoras de base científica, destinadas a lançar um novo capítulo na ação global para os oceanos.

A conferência surge num momento crítico, uma vez que o mundo procura abordar muitos dos problemas profundamente enraizados, exacerbados pela pandemia da COVID-19 e pela guerra, o que exigirá grandes transformações estruturais e soluções comuns partilhadas que estão ancoradas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

E que melhor cenário que o Tejo, onde os golfinhos e outras espécies estão de regresso?

Golfinhos de volta ao Tejo

Para tentar compreender as razões subjacentes ao número crescente de visitas dos golfinhos, as organizações locais começaram a estudar formas de os monitorizar de forma coordenada.

O parceiro local do World Wildlife Fund (WWF) , a Associação Natureza Portugal (ANP), criou um Observatório dos Golfinhos em março, numa das principais torres de controlo com vista para a margem do rio.

A iniciativa conjunta com uma universidade local reúne estudantes e recém-licenciados em biologia numa base voluntária, que fazem turnos de rotação e monitorizam os animais com binóculos e outras tecnologias.

A ANP está também a preparar um relatório especial sobre o estado do Estuário do Tejo que deverá ser tornado público ainda este verão.

A ideia é tentar descobrir as razões exatas pelas quais os golfinhos estão a entrar mais frequentemente no rio tão perto da cidade.

A ANP diz que os golfinhos não são criaturas influenciadas pelo tráfego marítimo ou pela população sonora, pelo que poderia haver várias razões para a sua presença constante - desde a temperatura da água até à abundância de peixe.

Guterres pede desculpa aos jovens

Entretanto, na sessão de encerramento do Fórum da Juventude e Inovação integrado na Conferência dos Oceanos da ONU 2022, o secretário-geral das Nações Unidas pediu hoje desculpa às novas gerações pela falta de atenção dada pelas gerações mais velhas e decisores políticos aos oceanos, sublinhando que ainda se está a caminhar lentamente para reverter o problema.

António Guterres afirmou: "Eu quero pedir desculpa, em nome da minha geração, à vossa geração, relativamente ao estado do oceano, ao estado da biodiversidade e ao estado das alterações climáticas".

Eu quero pedir desculpa, em nome da minha geração, à vossa geração, relativamente ao estado do oceano, ao estado da biodiversidade e ao estado das alterações climáticas
António Guterres
Secretário-geral da ONU

O responsável admitiu que a sua geração foi responsável politicamente pela degradação das condições dos oceanos, por ter sido lenta, ou mesmo "sem vontade de reconhecer que as condições se estavam a deteriorar no mar".

"Mesmo hoje, estamos a caminhar lentamente no sentido de reverter a tendência e reabilitar os oceanos, salvar a biodiversidade e parar as alterações climáticas", acrescentou.

O secretário-geral da ONU criticou alguns líderes económicos que "só querem saber do valor para os acionistas", dando como exemplo a indústria de combustíveis fósseis.

Para o responsável é preciso que a sua geração assuma a sua responsabilidade nos erros do passado.

Além do secretário-geral das Nações Unidas, esteve também presente o Presidente da República, Marcelo de Sousa, a ministra da Energia do Quénia, Monica Juma, país que coorganiza a Conferência dos Oceanos com Portugal.

Guterres chegou ao local juntamente com Marcelo Rebelo de Sousa, onde eram esperados por 150 jovens oriundos de 30 países, que participaram na iniciativa que pretendia ser "uma plataforma para avançar na ação pelos oceanos e para a implementação de soluções lideradas pelos jovens".

Momentos antes, os jovens foram surpreendidos na praia pelo ator Jason Momoa, conhecido por produções como Guerra dos Tronos ou Aquaman, que será entronizado, na segunda-feira, como embaixador das Nações Unidas para a Vida Marinha.

Num breve discurso, o ator natural de Honolulu, no estado do Havai, Estados Unidos, realçou que "é preciso corrigir os erros do passado", pelas gerações vindouras, "e parar o tempo de irresponsabilidade".

São esperados em Lisboa mais de 7.000 participantes de mais  de140 países e 38 agências especializadas e organizações.