Itália vive nova crise política. Governo de Draghi divide partidos

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De  Euronews
Mario Draghi, primeiro-ministro de Itália
Mario Draghi, primeiro-ministro de Itália   -   Direitos de autor  PIERRE TEYSSOT/PIERRE TEYSSOT / AFP   -  

A instabilidade política adensa-se em Itália. Sergio Mattarella pode não ter aceitado a demissão de Mario Draghi, mas restam dúvidas de se a vontade do presidente italiano será suficiente para manter o chefe do governo no poder.

Draghi garantiu a confiança do Senado, esta quinta-feira, ao ver aprovado um novo plano económico para o país, Mas a ausência do Movimento 5 Estrelas (M5E), e do seu líder e antigo primeiro-ministro, Giuseppe Conte, no voto de confiança ao executivo levou o atual primeiro-ministro a demitir-se.

A viabilidade de Draghi à frente dos destinos de Itália volta a ser posta à prova na próxima quarta-feira, com uma nova moção de confiança.

A decisão do Movimento 5 Estrelas, que é um dos partidos que suporta a coligação governamental, está já a ser condenada pelos apoiantes do governo .

Para Antonio Tajani, coordenador nacional do Força Itália, a atitude do M5E traz "consequências imprevisíveis, provocadas por escolhas irresponsáveis de um partido político que está a prejudicar o povo italiano".

Enrico Letta, líder do Partido Democrático, defende que "o governo de Draghi está a governar bem e é útil que continue".

No campo oposto, a extrema-direita defende a partida do primeiro-ministro.

Aos jornalistas, Giorgia Meloni, líder dos Irmãos de Itália, disse que o país atravessa "uma tempestade" e que "numa situação em que temos uma guerra, pandemia, elevados custos energéticos, falta de matérias-primas, uma pobreza que aumenta e risco de uma crise alimentar, não dá para ter um governo que não faz nada"

Draghi assumiu a liderança do governo italiano em fevereiro de 2021, sustentado por uma ampla coligação governamental da direita à esquerda partidária.

A unidade nacional foi concebida para lançar a recuperação do país face à pandemia de covid-19. Mas com a guerra na Ucrânia sem fim à vista e uma inflação galopante, Itália arrisca a ficar novamente sem governo.