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Os talibãs retomaram o poder no Afeganistão há um ano

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De  Maria Barradas  & Agências
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Meninas em aulas no Afeganistão
Meninas em aulas no Afeganistão   -   Direitos de autor  Ebrahim Noroozi/Copyright 2022 The Associated Press. All rights reserved.

Um ano após a tomada do poder pelos Talibãs, o Afeganistão está em colapso económico, com cerca de 20 milhões de pessoas em insegurança alimentar.

Um novo relatório das Nações Unidas mostra que uma enorme infusão de ajuda mal consegue evitar que o número de pessoas com fome continue a crescer no país.

A retirada da ajuda internacional e o congelamento dos bens do país provocou uma queda económica drástica que afetou principalmente os afegãos comuns.

O diretor do Conselho Norueguês para os Refugiados, Neil Turner, diz: "Estamos agora um ano depois da tomada do poder pelos Talibãs, e estamos a assistir a níveis incrivelmente elevados de pobreza no país (...) Estamos a ver pessoas com os seus salários reduzidos com os seus rendimentos reduzidos, assumindo maiores dívidas, utilizando estratégias para lidar com a situação, que incluem o casamento precoce de raparigas ou o trabalho infantil.

A seca e a inflação provocada pela guerra na Ucrânia ameaçam piorar consideravelmente a situação.

As mulheres vão mantendo a força para protestarem, mas os seus protestos não amolecem o coração dos talibãs que prometeram ao país e à comunidade internacional respeitar os seus direitos, mas dispersam as manifestações com tiros.

Após o reinício das aulas em setembro de 2021, apenas as raparigas até ao sexto ano foram autorizadas a frequentar escolas e a maioria das mulheres foi impedida de trabalhar nos departamentos governamentais.

A ativista Azita Nazhand, comenta: "mesmo no passado existiam restrições e violência contra as mulheres afegãs, mas as mulheres tinham esperança porque havia escolas, mulheres e raparigas que podiam servir o seu país através do seu conhecimento. Mas agora até perderam a sua única esperança, que era a educação".

Para além da pobreza e do rigor da vida sob o regime talibã, os afegãos estão sujeitos aos ataques frequentes a mesquitas e às minorias, por parte do Estado Islâmico (EI).

O EI realizou o seu primeiro grande ataque a 26 de agosto de 2021, fora do aeroporto de Cabul, onde 170 afegãos e 13 soldados norte-americanos foram mortos.

O grupo, que surgiu no leste do Afeganistão em 2014, é visto como o maior desafio de segurança enfrentado pelos novos governantes do país.

Numa série de ataques contra minorias xiitas este mês de agosto, 10 pessoas foram mortas e outras 40 foram feridas na capital, Cabul.