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Presidente francês inicia visita a Argélia

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De  Euronews
Vista de Alger
Vista de Alger   -   Direitos de autor  AFP   -  

Emmanuel Macron iniciou uma visita oficial de três dias à Argélia. Nada menos que 90 pessoas acompanham o Presidente francês. Da comitiva fazem parte sete ministros e alguns deputados, vários chefes de grandes empresas e até uma vice-campeã olímpica de boxe de origem argelina.

A visita, que acontece na capital, Argel, e também na segunda maior cidade do país, Orão, está centrada na juventude e no futuro. Mas os jovens consideram que a visita do Presidente francês não vai mudar nada na vida dos argelinos.

"Damos-lhe as boas-vindas. Se ele quiser, pode vir para Argel e viver aqui e eu irei para a Europa em vez disso. Porque Argel não tem nada para oferecer, não há trabalho, não há nada, não há esperança. O carro mais barato custa cerca de 200.000 euros. Como é que o vamos pagar? Não há trabalho, sempre que vamos candidatar-nos a um emprego, eles mandam-nos para casa. Queremos pedir a Macron que nos encontre uma solução que nos permita sair da Argélia," afirmou um jovem vendedor ambulante.

"Não esperamos muito da visita de Emmanuel Macron, francamente. Nada mudará de forma alguma nas relações entre a França e a Argélia. Em qualquer caso, nada mudará. Não é só por causa do governo, é o povo, a população e a sociedade," explicou um jovem estudante.

A visita de Macron tem por objetivo enfrentar dois grandes desafios: impulsionar as relações económicas enquanto procura curar as feridas herdadas da era colonial, 60 anos após a Argélia ter conquistado a sua independência de França.

De recordar que a presença do Presidente francês em solo argelino regista-se menos de um ano após uma crise diplomática entre os dois países, agitada por tensões pós-coloniais, e no momento em que a guerra na Ucrânia reforçou do estatuto da Argélia como parceiro-chave para fornecer gás ao continente europeu.

O Eliseu informou que Macron também vai abordar o tema dos direitos humanos, num país onde os ativistas criticam um sistema de governação injusto que vê os dissidentes como criminosos e não permite a liberdade de expressão.