Vitória de Giorgia Meloni ameaça o direito ao aborto em Itália

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De  Bruno Sousa
Vitória de Meloni ameaça o direito ao aborto em Itália
Vitória de Meloni ameaça o direito ao aborto em Itália   -   Direitos de autor  Alessandra Tarantino/The Associated Press   -  

A vitória dos Irmãos de Itália nas eleições italianas promete ser um teste à fraternidade dos vários líderes que se coligaram à direita. Giorgia Meloni será convidada pelo Presidente Sergio Matarella a formar governo, a partir daí, Matteo Salvini, Silvio Berlusconi e companhia lutam pela melhor posição junto da futura primeira-ministra.

Caso não haja nenhum imprevisto, Giorgia Meloni será a primeira mulher a liderar o executivo italiano mas a sua vitória não significa necessariamente uma vitória para as mulheres.

Na região de Marche, controlada pelo partido  da direita radical há dois anos, é já praticamente impossível fazer um aborto, mesmo que este seja legal no país. Quem o tenta fazer obtém invariavelmente como resposta que não havia disponibilidade ou que o médico não estava presente.

As mulheres que pretendem abortar são obrigadas a deslocar-se para outra região, a fazer um aborto clandestino ou a sair do país. Algumas acabam por desistir.

A lei italiana permite que os profissionais de saúde se declarem objetores de consciência e cerca de dois terços dos ginecologistas recusam-se a fazer abortos.

O problema vai da política à educação e entre os ginecologistas que defendem o direito ao aborto, há quem acuse nas universidades católicas de obrigar os novos estudantes a assinar um documento para se declararem objetores de consciência.

Giorgia Meloni afirma ser defensora dos valores de família, mas para a futura primeira-ministra, nem todas as famílias são iguais.