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Acordo "histórico" entre Israel e Líbano

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De  euronews  com AP
Telavive e Beirute reivindicam ambos cerca de 860 quilómetros quadrados do Mar Mediterrâneo
Telavive e Beirute reivindicam ambos cerca de 860 quilómetros quadrados do Mar Mediterrâneo   -   Direitos de autor  AFP   -  

Israel e o Líbano alcançaram um acordo descrito como "histórico" sobre a fronteira marítima que partilham.

O tratado entre os dois países, tecnicamente em guerra, anunciado esta terça-feira, foi elaborado pelos Estados Unidos da América e resolve a contenda de longa data sobre as águas no Mar Mediterrâneo com importantes reservas de gás natural.

Washington tem mediado, nos últimos dois anos, as negociações entre Telavive e Beirute, que reivindicam ambos cerca de 860 quilómetros quadrados. Com este acordo, cabe aos israelitas explorar o campo de Karish e cabe ao libaneses explorar as reservas do campo de Cana, embora parte do mesmo ultrapasse a futura fronteira.

De acordo com o primeiro-ministro israelita, Yair Lapid, o Estado hebraico receberá parte das receitas do gás do campo de Cana.

"O campo Karish vai funcionar e produzir gás natural. O dinheiro fluirá para o tesouro do Estado e a nossa independência energética será assegurada. Este acordo reforça a segurança de Israel e a economia de Israel. Não nos opomos ao desenvolvimento de um campo de gás libanês adicional, do qual, naturalmente, receberemos a parte que merecemos", sublinhou.

No domingo, o grupo britânico Energean disse ter iniciado testes para ligar a plataforma de gás do campo Karish ao território israelita.

Quanto ao Líbano, o Governo espera que a exploração de gás ajude a tirar o país da profunda crise económica em espiral em que se encontra.

O Executivo liderado por Najib Mikati tem estado a trabalhar com o gigante francês Total nos preparativos para a exploração do campo Cana.

O acordo deixaria também em vigor uma "linha de boia" existente que serve de fronteira de facto entre os dois países, disse uma fonte ligada ao governo israelita, citada pela agência AP.

Muitas figuras importantes da segurança, tanto ativas como reformadas, saudaram o acordo porque poderia diminuir as tensões com o grupo militante libanês Hezbollah, que ameaçou repetidamente atacar os recursos de gás natural israelita no Mediterrâneo. Com o Líbano a ter agora uma participação na indústria do gás natural da região, os especialistas acreditam que as partes pensarão duas vezes antes de abrirem outra guerra.

Os dois lados travaram uma guerra de um mês em 2006, e Israel considera o Hezbollah fortemente armado como a sua ameaça militar mais imediata.