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A Berlinale sorri aos jovens realizadores portugueses graças ao governo?

A Berlinale sorri aos jovens realizadores portugueses graças ao governo?
De  Elza GONCALVES

<p>No capítulo das curtas-metragens, a Berlinale tem sorrido aos jovens realizadores portugueses. Depois do Urso de Ouro de João Salaviza em 2012, este ano, foi a vez de Leonor Teles arrecadar o prémio de melhor curta.</p> <p>Aos 23 anos, Leonor Teles é a mais jovem realizadora a receber um Urso de Ouro: “Não sei o que dizer, não estava à espera. Nunca pensei que um filme tão parvo como este pudesse ganhar este prémio. Quero agradecer ao júri, ao festival e à minha equipa”, confessou a realizadora ao receber o prémio no domingo à noite.</p> <p>“Balada de um Batráquio” denuncia, de forma lúdica, os preconceitos contra os ciganos. A realizadora partiu da velha ideia de que um sapo à porta de uma loja afasta as pessoas ciganas. No filme, vemos uma série de sapos a serem quebrados. A própria realizadora é filmada enquanto quebra sapos. Leonor Teles tem origens ciganas pela parte paterna embora não tenha crescido no seio de uma comunidade cigana.</p> <p>Em Berlim, há quatro anos, João Salaviza tinha sido premiado pela curta-metragem “Rafa”, dois anos depois de ter recebido a Palma de Ouro de melhor curta em Cannes, pelo filme “Arena”.</p> <p><strong>Será que esta onda de prémios é o reflexo da política portuguesa de apoio ao cinema?</strong></p> <p>Na cerimónia em Berlim, em 2012, Salaviza tinha dedicado o Urso de Ouro ao governo português, “mas só na condição de nos ajudarem nos próximos anos, porque não sabemos o que vai acontecer com o nosso cinema”, ironizou o jovem realizador português, que apresentou a sua primeira-longa metragem (“Montanha”) na última edição do Festival de Veneza.</p> <p>Leonor Teles reagiu com a mesma ironia ao comentário de Jorge Barreto Xavier, antigo secretário de Estado da Cultura para quem o destaque recente de realizadores portugueses se deve ao trabalho do anterior governo. Para a jovem realizadora, as palavras de Barreto Xavier são uma “tentativa de politizar o cinema”.</p> <p><strong>Urso de prata e Prémio Audi para melhor curta</strong></p> <p>O júri da Berlinale atribuiu ainda o Urso de Prata para melhor curta-metragem ao filme “A Man Returned”, de Mahdi Fleifel. </p> <p>“Na última semana, têm-me perguntado muitas vezes porque razão só faço filmes sobre refugiados. A minha resposta é: porque sou um refugiado”, afirmou o realizador palestiniano residente na Dinamarca.</p> <p>O filme segue a vida de um homem que fugiu de um campo de refugiados no Líbano, para a Grécia. Depois de três anos a viver nas ruas de Atenas, torna-se dependente da heroína e regressa ao campo de refugiados.</p> <p>O realizador de Singapura Chiang Wei Liang recebeu o prémio Audi para melhor curta-metragem. “Anchorage Prohibited” retrata as dificuldades dos imigrantes que trabalham em Taiwan, nomeadamente o risco de serem forçados a trabalhar sem remuneração.</p> <p>Este ano, o tema da crise dos refugiados esteve presente nas várias secções do festival de cinema alemão.</p>