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Escócia: "Se sairmos da UE, saímos do Reino Unido"

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De  Euronews
Escócia: "Se sairmos da UE, saímos do Reino Unido"

<p><strong>Ficar ou sair? Ainda há pouco tempo, os escoceses viram-se perante um dilema idêntico. Só que nessa altura, no final de 2014, a decisão tinha a ver com a independência no seio do Reino Unido. Agora têm de escolher entre permanecer ou afastar-se do bloco europeu.</strong> </p> <p>Gordon Castle situa-se no norte da Escócia. Os chamados Highland Games são um grande acontecimento desportivo que atrai gente de toda a região. As provas são, como não podia deixar de ser aqui, bastante robustas. </p> <p>Perante <a href="http://visao.sapo.pt/actualidade/mundo/2016-02-17-Brexit-Sair-ou-nao-sair-eis-a-questao">o braço de ferro entre britânicos</a> – cerca de metade quer continuar na Europa, a outra metade não -, <a href="http://pt.euronews.com/2016/02/29/independencia-da-escocia-e-arma-de-campanha-contra-brexit/">o papel dos escoceses pode ser determinante</a>. Dependendo das estimativas, 60% a 75% dos eleitores na Escócia deverão dar um voto favorável à permanência na União Europeia. É o caso dos Footerin’ Aboot, um grupo de <a href="https://www.publico.pt/mundo/noticia/menos-de-metade-dos-jovens-britanicos-vai-votar-no-referendo-1734003?frm=ult">jovens</a> músicos. </p> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="pt"><p lang="en" dir="ltr"><a href="https://twitter.com/hashtag/gordoncastle?src=hash">#gordoncastle</a> provided another fantastic day, <a href="https://twitter.com/hashtag/highlandgames?src=hash">#highlandgames</a> and <a href="https://twitter.com/hashtag/countryfair?src=hash">#countryfair</a> 15 May <a href="https://t.co/yi0pTY446C">pic.twitter.com/yi0pTY446C</a></p>— <span class="caps">JASPERIMAGE</span> (@BrianJamesSmith) <a href="https://twitter.com/BrianJamesSmith/status/731979053905936384">15 de maio de 2016</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script> <p><em>“A Escócia não pretende sair. Mas a maioria dos ingleses vota nos partidos conservadores e quer retirar-se. Portanto, se o Reino Unido decidir afastar-se, vai haver um problema.</em> <a href="http://www.dn.pt/mundo/interior/brexit-pode-desencadear-independencia-da-escocia-em-dois-anos-5184457.html">A Escócia pode sair do Reino Unido</a> <em>, por sua vez. Se sairmos da União Europeia, saímos do Reino Unido…”</em>, diz a violinista, Amber Thornley.</p> <h3>“Os escoceses têm todo o direito de ficarem zangados se o Reino Unido sair”</h3> <p>Macduff é uma pequena cidade portuária. Muitos dos pescadores locais, uma atividade em pleno declínio, dizem-se contra Bruxelas. Inúmeros jovens deixam a localidade para procurar um futuro melhor. Há quem atribua a culpa do empobrecimento de Macduff ao governo britânico, realçando que as coisas seriam muito piores se não fossem as ajudas da Europa. É o que nos diz Ross Cassie, do Partido Nacional Escocês, a principal força política aqui.</p> <p><em>“É muito fácil ver o impacto que as ajudas da União Europeia tiveram em Macduff: basta olhar para o estaleiro naval que se encontra por detrás de mim. Foi possível, em parte, graças aos apoios europeus. Se o Reino Unido sair da União Europeia, este tipo de subsídios vai deixar de existir. As pequenas localidades como Macduff vão continuar no caminho do declínio, em vez de se desenvolverem”</em>, declara.</p> <script id="infogram_0_5704ffd0-e22c-4759-a823-45db92ef594d" title="Insiders Brexit polls" src="//e.infogr.am/js/embed.js?3Np" type="text/javascript"></script> <p>Macduff tem lutado pelo desassoreamento do porto, de forma a ajudar ao desenvolvimento da indústria naval da localidade. É para Bruxelas que olham quando se fala nos milhões de euros necessários para as mudanças estruturais.</p> <p><em>“Eu diria que os escoceses têm todo o direito de ficarem zangados se o Reino Unido os levar a sair da União Europeia contra a sua vontade. É óbvio que isso provocaria uma nova reflexão sobre o lugar da Escócia no interior do Reino Unido”</em>, afirma Ross Cassie.</p> <p>Quando se fala na Escócia, as Highlands ocupam um lugar particular no imaginário. A história da destilaria familiar de John Harvey McDonough remonta a 1770. Grande parte da produção deste whisky dirige-se à China, onde John viveu durante duas décadas. Para ele, o afastamento do bloco europeu não faz sentido nenhum: <em>“O nosso negócio desenvolveu-se muito. A China e Taiwan representam cerca de 80% do nosso mercado. O nosso mercado está a crescer também na Europa e na América do Norte. O nosso mercado, no fundo, é o mundo. E, como tal, a União Europeia é uma parte muito importante.”</em></p> <p>A Associação de Whisky Escocês tem salientado que são <a href="http://www.rtp.pt/noticias/economia/omc-avisa-que-londres-pode-pagar-milhoes-em-direitos-aduaneiros-se-sair-da-ue_n924408#top">os acordos de livre comércio estabelecidos com Bruxelas</a> que garantem um escoamento sólido dos produtos escoceses, gerando mais emprego. Segundo o diretor executivo, David Frost, <em>“cerca de 40% das exportações vão para a Europa. Se deixarmos a União Europeia, vão surgir barreiras administrativas. Se o Brexit for para a frente, vamos perder o acesso aos acordos de livre comércio. Isso é óbvio. Vai levar muito tempo até o Reino Unido conseguir renegociar novos acordos. É do nosso interesse fazer parte do maior mercado possível com o menor número de obstáculos. E é isso que o mercado único nos dá. É o que nos dão os acordos de livre comércio. Porque razão haveríamos de abdicar disso?”</em></p> <h3>Europeus de Glasgow</h3> <p>Há muito que Gorbals é conhecido por ser um bairro pobre e problemático de Glasgow. Durante os anos 60 e 70, surgiram alguns projetos urbanísticos para tentar dinamizar a zona. Mas o efeito foi o inverso. Onde antes havia uma torre de 24 andares, há agora um monte de entulho. Isto porque se está a apostar num conceito de alojamento social neste bairro assente na construção de qualidade e em espaços vigiados.</p> <p>Cathrin e Michael têm quatro filhos e vivem nos novos edifícios de Gorbals. <em>“Não é possível que 200 famílias vivam num só prédio. Se os nossos filhos crescerem num ambiente dominado pelas drogas, pelo álcool, pelos gangues, vão acabar envolvidos nisso tudo…”</em>, aponta Cathrin. Já Michael realça que <em>“o dinheiro da União Europeia traz muito mais benefícios do que se pensa. Ajudou a renovar esta área. Só por isso, já é positivo.”</em></p> <p>Esta família tem origens belgas, francesas, alemãs e irlandesas. Um concentrado de Europa que se reflete nas palavras de Cathrin: <em>“Não nos consideramos escoceses, só porque nascemos na Escócia. Somos europeus. Tenho muito orgulho em ser europeia.”</em></p> <p>Não é difícil encontrar aqui quem continue a olhar para a Europa como um paradigma de solidariedade. O Banco Europeu de Investimento anunciou recentemente novos financiamentos na ordem de mais de mil milhões de euros no setor do alojamento social britânico.</p> <p>Fraser Stewart, da New Gorbals Housing Association, afirma que <em>“o dinheiro do Banco Europeu de Investimento tem sido uma grande ajuda. É um financiamento estável, por metade dos juros, o que nos poupa muito dinheiro. Há uma ligação evidente entre o empenho que a Europa tem em ajudar as comunidades mais pobres e a capacidade de obtermos dinheiro junto de instituições como o Banco Europeu de Investimento. E esperamos que continue, porque sem isso, não sei onde é que poderemos encontrar financiamento no futuro…”.</em></p> <a data-flickr-embed="true" href="https://www.flickr.com/photos/euronews/albums/72157668558027712" title="Scots against Brexit"><img src="https://c3.staticflickr.com/8/7189/27006733930_860e89253d_z.jpg" width="606" height="360" alt="Scots against Brexit"></a><script async src="//embedr.flickr.com/assets/client-code.js" charset="utf-8"></script>