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Depois do Brexit, Londres enfrenta a ameaça do "Techxit"

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De  Nuno Prudêncio
Depois do Brexit, Londres enfrenta a ameaça do "Techxit"

<p><strong>Durante anos a fio, o poder magnético de Londres concentrou na cidade uma das maiores plataformas tecnológicas do mundo. Mas o incontornável Brexit ameaça fazer desmoronar esse estatuto. Várias empresas estão a transferir atividades para escritórios na Europa continental. E muitos trabalhadores europeus pensam agora duas vezes antes de aceitar um emprego no Reino Unido. A jornalista Sarah Chappell abordou o fenómeno do “Techxit”: a saída das empresas tecnológicas rumo a cidades como Berlim ou Lisboa.</strong></p> <p>Emmanuel Lumineau tem uma predileção especial por Londres. Foi nesta cidade que, em 2014, lançou uma plataforma online de investimento no setor imobiliário. Agora, decidiu alargar horizontes. Assistimos a uma reunião por Skype com um novo colaborador em Berlim.</p> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="fr"><p lang="en" dir="ltr">5 ways <a href="https://twitter.com/hashtag/BREXIT?src=hash">#BREXIT</a> could affect Britain’s tech industry, by <a href="https://twitter.com/MelinaDruga"><code>MelinaDruga</a> <a href="https://t.co/1w5fxWZREg">https://t.co/1w5fxWZREg</a> <a href="https://t.co/gneliygF0q">pic.twitter.com/gneliygF0q</a></p>&mdash; MIPIMWorld (</code>MIPIMWorld) <a href="https://twitter.com/MIPIMWorld/status/777887087605518337">19 septembre 2016</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script> <p><em>“Infelizmente, há muitas incertezas em torno de Londres, por isso precisamos de outra base para manter a nossa agilidade. Abrimos um escritório em Berlim e, para já, deixámos de recrutar em Londres. Tomámos esta decisão três semanas após o Brexit”</em>, diz-nos o diretor da Brickvest.</p> <h3>Londres continuará a ser a Silicon Valley europeia?</h3> <p>Está a capital britânica <a href="http://www.economist.com/news/britain/21707585-law-firms-and-consultancies-enjoy-brexit-boost-probably-not-long-lob-and-smash">a perder o brilho</a>? Ao longo da última década, a cidade fez marketing como a resposta europeia ao Silicon Valley, promovendo as histórias de sucesso das empresas do setor digital e tecnológico que apostaram aqui.</p> <p>O centro do bairro tecnológico da cidade é mesmo conhecido como a <a href="http://www.unmundoperplejo.com/2013/04/24/silicon-roundabout-el-distrito-tecnologico-de-londres/">Rotunda Silicon</a>. O Brexit produziu um choque sistémico. Os atores deste setor <a href="https://hbr.org/2016/07/brexit-could-deepen-europes-digital-recession">estão a procurar alternativas</a>. Brexit pode tornar-se em Techxit, ou seja, num <a href="http://fortune.com/2016/06/28/london-startups-brexit/">êxodo de empresas tecnológicas</a>.</p> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="fr"><p lang="en" dir="ltr">London start-up scene weighs threat of British <a href="https://twitter.com/hashtag/Techxit?src=hash">#Techxit</a> | Reuters <a href="https://t.co/jRsYADeCeb">https://t.co/jRsYADeCeb</a></p>— Jörn Menninger (@JoeMenninger) <a href="https://twitter.com/JoeMenninger/status/756912147708387328">23 juillet 2016</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script> <p>A concorrência é cada vez mais cerrada: Dublin, Paris e Lisboa oferecem argumentos muito atrativos para as startup. Mas é a capital alemã que mais tem beneficiado com este fenómeno. O governo regional de Berlim encetou uma intensa operação de charme junto das empresas presentes no mercado britânico, como nos explica Cornelia Yzer, responsável pela pasta da Economia e Tecnologia.</p> <p><em>“A incerteza é inimiga do investimento. Estou convencida que há várias empresas que irão manter as raízes em Londres, mas abrir um escritório na Europa continental. Isso nunca teria acontecido se o Brexit não tivesse passado”</em>, considera.</p> <p>Emmanuel explica que a aposta em Berlim teve a ver com a dificuldade crescente em encontrar talentos. Uma sondagem entre empresas tecnológicas britânicas revela que 51% considera que será cada vez mais difícil manter os trabalhadores de excelência no país. 70% quer que o governo clarifique o futuro dos trabalhadores europeus a viver no Reino Unido.</p> <p>Pedro Oliveira, cofundador da Landing Jobs, uma plataforma de recrutamento de profissionais do setor tecnológico, salienta que o número de candidatos disponíveis para viver no Reino Unido está em queda. <em>“Houve pessoas que abandonaram os processos de candidatura. Já tinham passado por duas, três entrevistas. Provavelmente, até iam conseguir o lugar. Mas acharam que o Reino Unido já não lhes interessava devido à instabilidade política. Há outros países mais estáveis e eles querem ir para lá. É simples”</em>, remata.</p> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="fr"><p lang="en" dir="ltr"><span class="caps">MAP</span> | Where Brits live in EU <a href="https://t.co/mP3Sx0E0GV">https://t.co/mP3Sx0E0GV</a> <br /> >> <a href="https://twitter.com/Bruegel_org"><code>Bruegel_org</a> research on <a href="https://twitter.com/hashtag/Brexit?src=hash">#Brexit</a> <a href="https://t.co/RqMG2GkZMy">https://t.co/RqMG2GkZMy</a> <a href="https://t.co/ggBmvZFCbl">pic.twitter.com/ggBmvZFCbl</a></p>&mdash; Bruegel (</code>Bruegel_org) <a href="https://twitter.com/Bruegel_org/status/781697691940163584">30 septembre 2016</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script> <h3>“Não há nada na Europa que se aproxime das condições que oferecemos”</h3> <p>Gerard Grech, diretor da empresa de consultadoria Tech City UK, financiada pelo governo, dá-nos um outro quadro: <em>“A economia digital representa mais de 10% do <span class="caps">PIB</span> britânico. Nos Estados Unidos, é 8%; a média europeia é de 5,5%”</em>.</p> <p>Este especialista diz não entender <em>“porque se fala num abrandamento. Fomos nós que abrimos o caminho em termos de políticas digitais. Temos uma massa crítica de especialistas no setor. Não há nada na Europa que se aproxime das condições que oferecemos para o desenvolvimento de empresas tecnológicas. A não ser que se cometam erros gigantescos, não vejo como é que o nosso crescimento pode ser travado.”</em></p> <p>Nos primeiros seis meses deste ano, as empresas britânicas atraíram 1,3 mil milhões de dólares em capital de risco, sensivelmente o mesmo do que em 2015, o que justifica o argumento da solidez dos investimentos. Mas se explorarmos o que está por detrás dos números apresentados, <a href="http://www.bloomberg.com/news/articles/2016-07-01/brexit-and-that-huge-eu-investment-fund-you-ve-never-heard-of">o cenário é menos sorridente</a>.</p> <a data-flickr-embed="true" data-header="true" href="https://www.flickr.com/photos/euronews/albums/72157671115810333" title="Insiders: British Techxit"><img src="https://c1.staticflickr.com/9/8345/29951400376_f8bd52dbe1_z.jpg" width="640" height="360" alt="Insiders: British Techxit"></a><script async src="//embedr.flickr.com/assets/client-code.js" charset="utf-8"></script> <p>As mudanças que o Brexit já provocou ainda estão longe do impacto global que será produzido, garante o investidor Andre de Haes. <em>“A mim, surpreende-me que o governo e alguns especialistas defendam que não vai haver consequências a longo prazo. Os investidores em capital de risco têm-se debatido para arranjar fundos. Conheço, pelo menos, cinco projetos que deviam ter sido lançados no verão. Apenas um deles conseguiu arrancar. Comparando com o ano passado, no terceiro trimestre de 2016 assistimos a uma queda de quase 50% dos investimentos em capital de risco recolhidos pelas próprias empresas”</em>, afirma.</p> <p>Mas a flexibilidade das startup poderá ajudar-lhes a absorver parte do choque, ao contrário das grandes corporações. Para Emmanuel Lumineau, <em>“o Brexit torna as coisas mais complexas. Temos de ser mais flexíveis. Mas não acho que Londres vá desaparecer do mapa. A nossa empresa reagiu rapidamente para acautelar o futuro. No entanto, há outras que ainda estão à espera que o Artigo 50 seja evocado para ver o que acontece. Creio que temos uma estratégia que vai jogar a nosso favor dentro de um, dois, três anos”</em>.</p>