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Morfu, onde o braço de ferro cipriota se concentrou

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De  Euronews
Morfu, onde o braço de ferro cipriota se concentrou

<p><strong>Apesar das negociações recentes, Chipre continua uma ilha dividida. Há quem garanta mesmo que é um contexto irreversível. Outros acreditam que</strong> a <a href="http://www.dn.pt/portugal/interior/cimeira-de-lisboa-apoia-reunificacao-de-chipre-e-pretende-sucesso-de-resgate-na-grecia-5634230.html">reunificação não está fora de alcance</a>. <strong>O Insiders foi até Morfu, uma localidade que assistiu a um êxodo massivo em 1974.</strong></p> <p>No norte de Chipre, perto da cidade de <a href="http://cyprus-mail.com/2016/11/27/morphou-remains-stumbling-block/">Morfu</a>, há laranjais a perder de vista. Os habitantes de toda esta zona falam turco. No sul desta ilha mediterrânica, há muito dividida, a língua é o grego. Em janeiro decorreu <a href="http://pt.euronews.com/2017/01/16/chipre-diplomacia-grega-nega-ter-abandonado-negociaces-com-turcos">um encontro em Genebra</a> para falar de novo sobre a reunificação, envolvendo as chamadas “potências garantes”: Reino Unido, Grécia e Turquia. Mas <a href="https://www.theguardian.com/world/2017/jan/14/cyprus-reunification-talks-rivals-reject-proposed-new-borders">o braço de ferro continua</a>.</p> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="pt"><p lang="en" dir="ltr">The fate of <a href="https://twitter.com/hashtag/Morphou?src=hash">#Morphou</a>/<a href="https://twitter.com/hashtag/Guzelyurt?src=hash">#Guzelyurt</a> was major reason the <a href="https://twitter.com/hashtag/Cyprus?src=hash">#Cyprus</a> leaders did not reach agreement in <a href="https://twitter.com/hashtag/MontPelerin?src=hash">#MontPelerin</a> <a href="https://t.co/UcAWbuNYWj">https://t.co/UcAWbuNYWj</a></p>— Lenka Peťková (@Lenka_Petkova) <a href="https://twitter.com/Lenka_Petkova/status/802913204510670849">27 de novembro de 2016</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script> <p>Em 1974, Chipre separou-se em duas partes. Perguntamos a Ramadan Kandulu, dono de um laranjal, se é ou não possível <a href="https://www.swp-berlin.org/fileadmin/contents/products/comments/2017C03_gri.pdf">reverter isto</a>? <em>“Para mim, é impossível voltar a juntar as duas partes. É como se uma das metades fosse uma laranja e a outra uma maçã… Não dá para uni-las”</em>, diz-nos.</p> <h3>“Nós somos turcos, eles são gregos, é tudo diferente!”</h3> <p>Há 43 anos, o conflito levou à deslocação de dezenas de milhares de habitantes: os cipriotas gregos de Morfu vieram para o sul, enquanto que os cipriotas turcos fugiram para o norte. Foi o que aconteceu com a família Kandulu. As casas que ficaram desocupadas foram distribuídas por sorteio, ou seja, os Kandulu passaram a viver numa residência que pertencia a uma família cipriota grega.</p> <p><em>“Esta casa pertence-nos agora. Tenho um certificado que comprova que é minha. Os cipriotas gregos dizem que nada disto é reconhecido internacionalmente. Eu não quero saber se é reconhecido lá fora. Eu vivo nesta casa há 43 anos. É uma vida”</em> afirma Ramadan Kandulu.</p> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="pt"><p lang="pt" dir="ltr">Cápsula do tempo: O dia em que Chipre passou a ser dois países <a href="https://t.co/Ah1qDXEg7o">https://t.co/Ah1qDXEg7o</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/Mundo?src=hash">#Mundo</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/chipre?src=hash">#chipre</a> <a href="https://t.co/UFMeWHXPMU">pic.twitter.com/UFMeWHXPMU</a></p>— Jornal Económico (@ojeconomico) <a href="https://twitter.com/ojeconomico/status/831049097234636800">13 de fevereiro de 2017</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script> <p>Em 2004, os cipriotas gregos <a href="http://news.bbc.co.uk/2/hi/europe/3656753.stm">rejeitaram massivamente em referendo</a> o plano de reunificação proposto pela <span class="caps">ONU</span>, ao contrário dos cipriotas turcos: na altura, 65% disseram “sim”. Hoje em dia, muitos não escondem as reticências.</p> <p><em>“Nós somos turcos. Eles são gregos. As religiões são diferentes, as línguas são diferentes, é tudo diferente! Deixe-me colocar-lhe uma pergunta: alguma vez ouviu falar em problemas depois de 1974? De pessoas a matarem-se, como na Síria ou noutros países? Não. E isso explica-se pela presença do exército turco”</em>, salienta Ali, filho de Ramadan.</p> <h3>“Não me importa se o presidente se chama Nikos ou Yannis ou Mustafa ou Ahmed”</h3> <p>Michael Georgiades considera “inadmissível” a presença de 30 mil soldados turcos no território. Este cipriota grego teve de fugir de Morfu quando tinha 18 anos. A família possuía também um laranjal que Michael pretende reaver. Nas negociações que decorreram recentemente, uma das grandes exigências do lado cipriota grego era a restituição de Morfu, que visita agora.</p> <p><em>“Nesta praça havia uma igreja… Lembro-me de muita coisa que vivi aqui: lembro-me da Páscoa, lembro-me do Sábado de Aleluia, lembro-me de haver aqui muita gente a celebrar na Páscoa exatamente. Hoje em dia, a igreja tornou-se numa mesquita. Isto deixa-me muito triste e muito revoltado. Lembro-me de vir aqui em 2003. As portas estavam abertas e eu entrei. As luzes são as mesmas. Mas não há estátuas, não há mobília. Subi ao primeiro andar, encontrei os antigos sinos no chão e grande parte dos móveis da igreja destruídos…”</em>, conta-nos.</p> <p>Fomos ao encontro de Elena Georgiou, em Limassol, no sul. Vem de uma família cipriota grega, proveniente também de Morfu. <em>“A foto que tenho no meu mural do Facebook diz: ‘Morfu é a minha terra! Quero a minha casa de volta. Quero a minha cidade!’. Esta outra foto é de quando eu era criança, na nossa varanda. Ainda sinto o cheiro das laranjas, crescemos com ele”</em>, lembra.</p> <p>Também Elena vive numa casa que pertencia a cipriotas turcos. Para ela, tanto faz que o presidente, em caso de reunificação, seja cipriota grego ou cipriota turco, católico ou muçulmano. O que realmente importa, diz, é que lute pelo bem comum: <em>“Fala-se num futuro governo com cipriotas gregos e cipriotas turcos. Para mim, são todos cipriotas. Não me importa se o presidente se chama Nikos ou Yannis ou Mustafa ou Ahmed. Uma federação seria a solução perfeita”.</em></p> <p>Hatice e Larkos vivem em Kiti, uma localidade no sul. Ele vem da comunidade grega, ela é de origem turca. Têm um grupo de música no qual cantam em ambas as línguas e um casamento que se tornou num símbolo de uma união alargada. </p> <iframe width="640" height="315" src="https://www.youtube.com/embed/0Nj3X-InWQ4" frameborder="0" allowfullscreen></iframe> <p><em>“Nós somos cipriotas cipriotas. Temos todos a mesma origem”</em>, considera Hatice. <em>“Temos de perdoar, não esquecendo o passado. Mas chegou uma nova era: vamos aproveitar para nos unirmos”</em>, remata Larkos.</p> <a data-flickr-embed="true" data-header="true" href="https://www.flickr.com/photos/euronews/albums/72157679931497436" title="Insiders - Filming in Cyprus"><img src="https://c1.staticflickr.com/1/329/32706057276_cca4e2ea8c_z.jpg" width="640" height="360" alt="Insiders - Filming in Cyprus"></a><script async src="//embedr.flickr.com/assets/client-code.js" charset="utf-8"></script>