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Quando a retoma nasce em Espanha, não é para todos

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De  Euronews
Quando a retoma nasce em Espanha, não é para todos

<p><strong>É um quadro típico nos meses de verão: um grupo de crianças que usufrui de uma piscina pública, neste caso em Sevilha, no sul de Espanha. Mas há um elemento particular no cenário. Todas estas crianças pertencem a famílias para quem</strong> <a href="http://www.latribune.fr/economie/union-europeenne/espagne-les-dessous-du-miracle-de-l-emploi-547626.html">a retoma económica ainda não chegou</a>.</p> <p>Vivem no bairro do Polígono Sul, <a href="https://www.euractiv.com/section/economy-jobs/news/40-of-spanish-children-live-in-poverty/">um dos mais desfavorecidos de Espanha</a>. Para além dos passeios que organizam, os educadores sociais da associação Entre Amigos distribuem diariamente refeições nas escolas locais durante o verão, no âmbito de um programa de assistência lançado há 3 anos pela <span class="caps">ONG</span> Educo.</p> <p><em>“Este ano, recebemos mais 40% de pedidos para ajuda alimentar do que no ano passado. A crise económica provocou cortes nos setores da educação, da saúde, dos apoios sociais. Isso fez com que muitas famílias procurassem reduzir os encargos que têm com a comida. Não se pode falar de fome em Espanha. Mas há má nutrição”</em>, diz-nos Fernando Rodríguez, desta <span class="caps">ONG</span>.</p> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="fr"><p lang="es" dir="ltr">Decenas de niños y niñas participan estos días en las actividades de verano de los proyectos de infancia y juventud <a href="https://t.co/nwEcNypBVH">https://t.co/nwEcNypBVH</a> <a href="https://t.co/7iB54IQdDG">pic.twitter.com/7iB54IQdDG</a></p>— Cáritas Sevilla (@CaritasSevilla) <a href="https://twitter.com/CaritasSevilla/status/890515306397007873">27 juillet 2017</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script> <h3>“O receio é que a pobreza se torne crónica”</h3> <p>Segundo dados oficiais, mais de 40% das pessoas que vivem na região da Andaluzia <a href="https://elpais.com/ccaa/2016/10/14/andalucia/1476445122_157058.html">estão em risco de pobreza e exclusão social</a>. Na cidade de Sevilha, uma das maiores do país e um destino turístico privilegiado, não é difícil encontrar casos como os de Salud Funes. </p> <p>Todas as manhãs, leva os seus filhos gémeos à escola antes de ir trabalhar. As crianças podem participar aqui nas atividades lúdicas e educativas organizadas pela <span class="caps">ONG</span> Save The Children, uma iniciativa que visa colmatar algumas das carências do sistema.</p> <p><em>“Vimos chegar famílias que perderam o que tinham, perderam o emprego ou então trabalham em condições precárias e perderam o direito a receber ajudas. O nosso receio é que a pobreza se torne crónica”</em>, aponta Javier Cuenca, da Save The Children.</p> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="fr"><p lang="es" dir="ltr">Las colonias para todos de <a href="https://twitter.com/SaveChildrenEs"><code>SaveChildrenEs</a> en Vitoria. Escúchalo aquí <a href="https://t.co/GLcvPLcSdt">https://t.co/GLcvPLcSdt</a></p>&mdash; Cadena Ser Vitoria (</code>SERVitoria) <a href="https://twitter.com/SERVitoria/status/887383834102308869">18 juillet 2017</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script> <p>Salud vive em casa dos pais, juntamente com as famílias dos dois irmãos. Afirma que o seu trabalho de empregada doméstica e o do seu marido na construção civil não lhes permite pagar uma renda. <em>“É a minha mãe que nos ajuda. É ela que põe comida na mesa todos os dias. E é a vida que temos”</em>, desabafa.</p> <p>O marido de Salud esteve desempregado durante anos. Recentemente encontrou trabalho, mas com contratos temporários e salário variável. <em>“No primeiro mês, recebeu 800 euros; no segundo, 900; no terceiro, 550. É uma miséria. Não sabemos quanto vamos ter no fim do mês. O meu salário também depende das horas que faço. Tento poupar um pouco quando ganho mais, porque há meses em que não sobra nada para pagar as contas”</em>, conta.</p> <h3>“Vou continuar a dever dinheiro ao banco”</h3> <p>Manolo Garrido trabalha numa <a href="http://afectadosporlahipoteca.com/">plataforma que ajuda pessoas com problemas de crédito</a>, especificamente no setor imobiliário. Encontramos aqui quadros superiores, empresários, pessoas das mais variadas proveniências. Alguns foram literalmente despejados de casa; outros estão em vias disso.</p> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="fr"><p lang="und" dir="ltr"><a href="https://t.co/1dQs4tOmkj">https://t.co/1dQs4tOmkj</a></p>— <span class="caps">PAH</span> Madrid (@PAH_Madrid) <a href="https://twitter.com/PAH_Madrid/status/890148418047311872">26 juillet 2017</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script> <p><em>“Aqui podem encontrar algum conforto, alguma ajuda. As pessoas dão-se conta que podem negociar a sua situação. Se não houver mesmo forma de pagar, é possível encontrar uma solução. Não vão parar logo à rua, como alguns deles pensam”</em>, afirma Manolo.</p> <p>Celestina e o marido tinham uma empresa com cerca de 15 pessoas. Quando alguns dos maiores clientes deixaram de pagar, deixaram também de ter forma de respeitar os compromissos bancários. Seguiu-se um processo de falência. O seu apartamento foi penhorado. As instalações da empresa vão ser vendidas para colmatar a dívida.</p> <p><em>“A empresa era aqui. Perdi a minha casa. Está um processo em curso para que o banco se aproprie das instalações. E, mesmo depois, vou continuar a dever dinheiro ao banco”</em>, explica-nos.</p> <p>Celestina vive em casa do filho de 25 anos, cujo salário, de mil euros, lhe tem garantido a subsistência. Tudo isto lhe valeu uma grave depressão e o divórcio. Aos 53 anos, tenta abrir um novo capítulo. Acabou de encontrar um trabalho numa empresa de serviços de assistência a idosos. Vai ganhar 500 euros por mês.</p> <p><em>“Tenho trabalho para dois ou três meses. Não sei quanto tempo vai durar. Continuo a procurar emprego, todos os dias. Peço ajuda às assistentes sociais, à Caritas, para que me ponham em contacto com outras pessoas. Continuo a mandar o meu currículo para restaurantes, bares. Estou a tentar arranjar alguma coisa”</em>, diz.</p> <h3>“Os políticos continuam a meter dinheiro ao bolso”</h3> <p>A Espanha regista <a href="http://thegoodlife.thegoodhub.com/2017/06/28/retour-de-la-croissance-en-espagne-miracle-ou-miroir-aux-alouettes%E2%80%89/">uma das mais elevadas taxas de crescimento da zona euro</a>. Mas os índices de pobreza na Andaluzia <a href="http://www.archisevilla.org/memoria-2016-de-caritas-diocesana-la-pobreza-se-cronifica-y-la-fractura-social-se-consolida/">permanecem mais ou menos idênticos</a>, sublinha Mariano Pérez de Ayala, responsável regional da Cáritas, que aponta o dedo à política de austeridade e à reforma da lei laboral.</p> <p><em>“O nosso sistema praticamente não corrige as desigualdades numa altura que é de retoma económica. Aliás, agrava as desigualdades e destrói o emprego. A crise deu cabo de muitas das conquistas sociais europeias. Está a impor-se um modelo ideológico de recorte neoliberal que restringe as políticas sociais. Todas as reformas laborais que têm sido executadas limitam os avanços feitos nos últimos anos”</em>, considera.</p> <p>Há 9 anos que Asunción Campanario não tem um emprego fixo. Decidiu trabalhar por conta própria: todas as semanas, vai comprar vestuário a grossistas para o revender nos mercados. Mesmo assim, procura regularmente ajuda de associações caritativas para sustentar os dois filhos e a mãe que vive com ela.</p> <p><em>“Já tive um bar, já trabalhei em armazéns grossistas, já vendi bijuteria… O meu marido também já fez de tudo um pouco: já trabalhou para uma empresa de elevadores, já esteve nas obras. Agora estamos por nossa conta. Trabalhamos muito mais e ganhamos menos… (…) Isto está para durar… Os políticos continuam a meter dinheiro ao bolso. Só pensam neles. Os pobres são cada vez mais pobres e os ricos, mais ricos. Foi sempre assim…”</em>, remata.</p>