União Europeia suspende acordo de vistos com a Rússia

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De  Shona Murray  & Isabel Marques da Silva
Acordo foi obtido pelos chefes da diplomacia
Acordo foi obtido pelos chefes da diplomacia   -   Direitos de autor  Petr David Josek/Copyright 2022 The Associated Press. All rights reserved

Os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE decidiram suspender, hoje, o acordo para a facilitação da emissão de vistos com a Rússia, datado de 2007, sobretudo para os casos de turismo.

Os Estados-membros das regiões do Leste, Escandinávia e Báltico queriam uma proibição total da entrada de cidadãos russos na UE.

Mas Portugal, França e Alemanha eram alguns dos que estavam contra esse bloqueio. A Comissão Europeia diz que vai haver maior seletividade no tipo de motivos por detrás do pedido de visto.

"Temos visto muitos russos a viajar por motivos de lazer e compras como se não houvesse guerra na Ucrânia. Os Estados membros consideraram que não vivemos circunstâncias normais, as coisas não podem continuar como antes", afirmou Josep Borrell, alto-representante para a política externa da UE.

Os países que estavam contra a proibição total alegam que a Europa deve abrir as portas a dissidentes, ativistas, estudantes e outros cidadãos que fogem à perseguição do governo russo.

Só o tempo dirá como é que os cidadãos russos vão lidar com mais esta restrição a sua vida normal.

"Espera-se que esta medida tenha algum impacto, mas temos de compreender que o panorama mediático russo está totalmente dominado pelo regime de Putin. Um grande número de pessoas só vê as notícias de canais estatais de TV, uma forte arma propagandista. As pessoas recebem todos os tipos de desinformação, todos os dias. É mais provável que os mais jovens conheçam a verdade, mas desde o início deste conflito temos visto pouquíssimos russos decididos a revoltarem-se", explicou John O'Brennan, professor na Universidade Nacional da Irlanda.

Os ministros dos Negócios Estrangeiros também confirmaram que não reconhecerão os passaportes russos provenientes de territórios ocupados na Ucrânia e que irão rever os vistos que cidadãos russos estão, atualmente, a usar.