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Von der Leyen diz estar preparada para qualquer governo em Itália

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De  Jorge Liboreiro
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyden, foi criticada por comentar as eleições italianas
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyden, foi criticada por comentar as eleições italianas   -   Direitos de autor  Evan Vucci/Copyright 2022 The Associated Press. All rights reserved   -  

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que o seu executivo está disponível para trabalhar com qualquer governo eleito democraticamente na União Europeia (UE), mas tem as "ferramentas" necessárias se as coisas correrem numa "direção difícil", disse von der Leyen em resposta a uma pergunta sobre as eleições em Itália, quinta-feira, durante a sua viagem aos EUA.

As últimas sondagens disponíveis sugerem que a coligação de direita composta por três partidos e liderada pelos Irmãos da Itália (FDI) - um partido eurocéptico com raízes num movimento neo-fascista -, deverá obter a maioria dos assentos parlamentares.

A líder do FDI, Giorgia Meloni, que tem repetidamente atacado o que chama de "burocratas de Bruxelas" e "lobbies LGBT", é apontada como provável primeira chefe de Governo feminina do país.

A tão esperada votação em Itália, a 25 de setembro, segue-se a eleições similar em Suécia, a 11 deste mês, nas quais o centro-esquerda foi destronado por uma plataforma informal de partidos de direita, incluindo os Democratas Suecos, de extrema-direita.

"A democracia é um trabalho constante em curso. Nunca está acabado, nunca é seguro. É uma questão que depende como é que as pessoas defendem a democracia", disse a presidente da Comissão Europeia, em resposta a uma pergunta sobre se estava preocupada com as eleições italianas, numa sessão na Universidade de Princeton, nos EUA.

"Vamos ver o resultado das eleições. Acabámos de ter eleições na Suécia. A minha abordagem é que qualquer que seja o governo democrático disposto a trabalhar connosco, estamos dispostos a trabalhar em conjunto", disse von der Leyen.

O exemplo da Hungria

A chefe do executivo realçou que numa União a 27, é a negociação e o consenso que caracteriza a complexa tomada de decisões do bloco.

"Essa é a beleza da democracia. Por vezes somos lentos. Falamos muito, eu sei. Mas isso também é democracia", disse von der Leyen.

"Portanto, veremos. Se as coisas vão numa direcção difícil - falei da Hungria e da Polónia - temos ferramentas", acrescentou ela.

Numa pergunta anterior não relacionada com a Itália, von der Leyen descreveu a Comissão Europeia como a "guardiã" dos tratados da UE e explicou os instrumentos que o executivo tem à sua disposição para corrigir as infrações legais.

No domingo passado, a Comissão desencadeou pela primeira vez um mecanismo orçamental para congelar 7,5 mil milhões de euros em fundos da UE atribuídos à Hungria devido a preocupações com falta de mecanismos anti-corrupção.

Democracia versus autocracia em causa na guerra

Durante o seu discurso na Universidade de Princeton, von der Leyen falou longamente sobre o choque entre democracia e autocracia, no contexto da invasão russa da Ucrânia.

"Na Europa, aprendemos que devemos sempre trabalhar para melhorar a democracia - porque sabemos quão rapida e devastadoramente a História pode mudar", disse.

Membro doPartido Popular Europeu (centro-direita), a presidente da Comissão Europeia não manifestou qualquer preferência entre os candidatos em Itália.

No entanto, os seus comentários despoletaram reações naa direita italiana, que viu no comentário "temos as ferramentas" uma indesajada interferência política.

"Arrogância vergonhosa. Respeitem o voto livre, democrático e soberano do povo italiano! Amigos de todos, servos de ninguém", escreveu Matteo Salvini, líder da Liga, um dos membros da coligação, no Twitter.

Salvini disse que o seu grupo no Parlamento Europeu vai pedir uma moção de censura contra von der Leyen, O procedimento requer que um décimo do hemiciclo o apoie para ser submetido, e uma maioria de dois terços para sewr aprovado.

"A senhora representa todos os europeus, o seu salário é pago por todos nós", disse Salvini. "Foi uma ameaça nojenta e arrogante".

Um porta-voz de von der Leyen disse, na sexta-feira, que a presidente "não interferiu de forma alguma" nas eleições italianas e que estava apenas a explicar o papel da Comissão na defesa da legislação da UE.