Quem tem armas nucleares na Europa e onde estão?

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De  Alice Tidey  & Isabel Marques da Silva
Na Europa, a França e o Reino Unido são os únicos países com armas nucleares
Na Europa, a França e o Reino Unido são os únicos países com armas nucleares   -   Direitos de autor  Russian Defense Ministry Press Service via AP   -  

O Ocidente advertiu que as ameaças nucleares do presidente russo Vladimir Putin devem ser levadas a sério, mas que os líderes não se sentirão intimidados, pelo que os países membros da NATO vão realizar um exercício conjunto de dissuasão nuclear, em breve, como estava programado.

O presidente Putin disse estar disposto a utilizar "todos os meios disponíveis" para proteger os territórios russos, incluindo as quatro regiões da Ucrânia que foram ilegalmente anexadas, no início deste mês, na sequência de pseudo-referendos.

A ameaça nuclear russa é considerada "grave" pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen: "Como em qualquer uma das suas declarações, não nos deixamos chantagear pelo que diz. Temos uma posição muito clara sobre como queremos proceder", sublinhou, na semana passada.

De acordo com o Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI), a Rússia possui 5977 ogivas nucleares. É o maior arsenal deste tipo a nível mundial, embora cerca de 1500 sejam ogivas que deverão ser desmanteladas por já não serem eficazes.

Cerca de 1588 foram colocados em mísseis ou estão localizados em bases com forças operacionais.

França e Reino Unido têm arsenais

Na Europa, a França e o Reino Unido são os únicos países com armas nucleares. Em conjunto, estima-se que tenham 515 ogivas nucleares, das quais 400 estão posicionadas, de acordo com o SIPRI.

Os EUA têm também cerca de 100 ogivas nucleares armazenadas em toda a Europa, em bases aéreas na Bélgica, Alemanha, Itália, Países Baixos e Turquia, de acordo com o Centro de Controlo de Armas e Não-Proliferação. 

Estas ogivas fazem parte do total de 5428 no arsenal dos EUA, das quais 3708 estão operacionais. As restantes deverão ser desmanteladas.

A NATO prosseguirá, na próxima semana, com os seus exercícios anuais de dissuasão nuclear denominados "Steadfast Noon", apesar das ameaças russas.

A embaixadora dos EUA para a NATO, Julianne Smith, disse à euronews que "não é uma resposta ao que está a acontecer na Ucrânia".

"A dissuasão nuclear é um factor-chave da defesa e da ação de dissuasão da NATO. Como tal, os aliados conduzem este tipo de exercícios com regularidade. E, portanto, estes não são nada de excecional. São algo que a NATO faria independentemente do que está a acontecer no território da Ucrânia", explicou.