Tumulto após jogo Bélgica-Marrocos deixa Bruxelas em alerta

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De  Isabel Marques da Silva  & Méabh McMahon
O presidente da Câmara de Bruxelas, Philippe Close
O presidente da Câmara de Bruxelas, Philippe Close   -   Direitos de autor  Euronews

As estações de metro, os sinais de trânsito, as trotinetes e biciletas públicas e outras infraestruturas de Bruxelas foram visadas na onda de destruição levada a cabo, no domingo.

O tumulto na capital belga seguiu-se ao jogo entre Bélgica e Marrocos no mundial de futebol, com a equipa africana a sair vencedora.

Mas foram, alegadamente, os adeptos dessa equipa que criaram o tumulto.

O presidente da Câmara de Bruxelas, Philippe Close, disse à euronews que a comunidade marroquina não deve ser estigmatizada, porque os vândalos pertencem a um pequeno grupo que se envolve em atos criminosos.

"As pessoas mais duras na condenação do que aconteceu são da própria comunidade marroquina. Nas redes sociais foram os que mais criticaram porque lhes foi roubada a alegria de uma vitória. Foram atos de uma minoria de extremistas, que devem ser punidos", afirmou o autarca.

Cerca de uma centena de polícias anti-motim, usando canhões de água, puseram fim ao tumulto e detiveram cerca de uma dúzia de pessoas, a maioria muito jovens.

Cosmopolitismo e problemas de segurança

Esta comunidade é uma das principais minorias do país e tem sido envolvida em ações de integração. Mas não será o esforço das autoridades públicas insuficiente face aos relatos de discriminação, incluindo casos suspeitos de morte de jovens marroquinos em ações policiais?

"Penso que não. Em Bruxelas há um bom convívio com as pessoas de 184 nacionalidades, somos a segunda cidade mais cosmopolita do mundo. Mas existem, tal como noutras cidades, problemas a serem resolvidos, nomeadamente de segurança. Os problemas estão confinados a uma área muito pequena e intervimos imediatamente. Em duas horas, a ordem foi restabelecida", referiu o presidente da câmara.

Na quinta-feira, Marrocos vai jogar com o Canadá. A autarquia já está a preparar-se e mobilizará a polícia por precaução.

"Sim, haverá muita polícia, obviamente. Somos uma cidade muito cosmopolita, com muitas nacionalidades. Todos os dias há equipas que ganham e outras que perdem. Se querem festejar não há problema, mas se quiserem fazer destruição na cidade, terão de lidar com a polícia de Bruxelas", disse Close.

O autarca apela aos pais dos jovens e a outros líderes das comunidades que façam um esforço redobrado para evitar que estas cenas se repitam.