Taghi Rahmani pede maior apoio da UE aos manifestantes iranianos

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De  Efi Koutsokosta  & Lauren Chadwick, Isabel Marques da Silva
O jornalista e ativista já esteve várias vezes preso e, neste momento, é a mulher, também ativista, que está encarcerada
O jornalista e ativista já esteve várias vezes preso e, neste momento, é a mulher, também ativista, que está encarcerada   -   Direitos de autor  AP Photo/Francois Mori

O Parlamento Europeu deve opor-se às alegadas sentenças de morte aplicadas aos manifestantes no Irão, defendeu o ativista e jornalista Taghi Rahmani, em entrevista à euronews, em Bruxelas, na semana passada.

As manifestações começaram em setembro, após a morte de Mahsa Amini, jovem detida pela polícia que vigia o comportamento social, conhecida como "polícia de moralidade", tendo morrido no hospital de sérios ferimentos.

Organizações de direitos humanos do Irão e internacionais afirmaram que as autoridades iranianas estão a considerar aplicar pena de morte contra alguns manifestantes, numa tentativa de reprimir o movimento.

Não queremos, certamente, uma guerra. Não somos a favor de uma guerra. Não queremos sanções que prejudiquem o povo, mas queremos apoio prático para a vitória do povo.
Taghi Rahmani
Ativista e jornalista, Irão

"O nosso povo protesta contra o despotismo, o monopólio e a tirania e apontam o dedo ao Sr. Khamenei, o líder da República Islâmica, que levou a nossa sociedade a condições económicas e sociais muito más com a sua tirania", disse Rahmani.

"O regime ainda não recuou, mas o povo também não desistiu, e isto é uma luta séria", acrescentou.

Rahmani apelou a "apoio real, prático e técnico" aos manifestantes iranianos por parte da comunidade internacional.

"Não queremos, certamente, uma guerra. Não somos a favor de uma guerra. Não queremos sanções que prejudiquem o povo, mas queremos apoio prático para a vitória do povo", afirmou o ativista.

Após a reunião de Rahmani com membros do Parlamento Europeu, a presidente Roberta Metsola afirmou, no Twitter: "Estamos com o povo do Irão e vamos ficar ao lado dele".

AP/Alastair Grant
Foto da jovem que morreu mostrada numa manifestação de apoio aos iranianos, em Londres (Reino Unido)AP/Alastair Grant

Um movimento diferente, que não vai ser travado?

Em 2011, a organização não-governamental Repórteres Sem Fronteiras apelidou Taghi Rahmani de "jornalista mais frequentemente detido". Contudo, é a sua mulher, a ativista Narges Mohammadi, que se encontra atualmente na prisão.

"Ela esteve na prisão durante sete anos, no passado e, desta vez, a pena é mais oito anos e meio. Apesar de estar na prisão, ela apoia estes protestos do povo iraniano", disse Rahmani.

O jornalista mencionou que vários ativistas dos direitos humanos e advogados continuam presos por delito de expressão, mas tem esperança de que caberá ao povo decidir o futuro do país.

"Se conseguirmos criar fraturas no núcleo central do poder, no centro do regime, esta será uma grande vitória para manter os protestos", disse.

"Sinto que é possível manter vivo este movimento, porque as pessoas têm energia para isso. O governo quer suprimi-lo, mas uma coisa é clara do meu ponto de vista: a sociedade iraniana não vai voltar ao ponto em que se encontrava antes dos protestos", concluiu.