Poroshenko pede envio de aviões militares para a Ucrânia

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De  Sandor Zsiros  & Isabel Marques da Silva
O ex-presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, está na oposição e é um empresário multimilionário
O ex-presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, está na oposição e é um empresário multimilionário   -   Direitos de autor  Mikhail Palinchak, Presidential Press Service Pool Photo via AP, File

O ex-presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, considera que os aliados deveriam enviar aviões a jato militares como passo decisivo para contrariar o reforço que a Rússia está a fazer das suas capacidades.

Em entrevista à euronews, em Bruxelas, o antecessor de Volodymyr Zelensky diz que, apesar de ter demorado demasiado, foi muito positiva a recente decisão de enviar tanques modernos para a Ucrânia.

"Penso que isto melhorou a situação. Definitivamente, embora dependa do número de tanques. Se for uma companhia de tanques é uma coisa, se forem várias brigadas é outra coisa bem diferente. Contudo, se o objetivo é virar realmente o jogo, os tanques já não o farão", explicou. 

"Se esse fornecimento tivesse acontecido há meio ano, quando a Rússia estava definitivamente mais fraca, se tivessem enviado tanques juntamente com um porta-aviões blindado e a defesa aérea, isso teria alterado o jogo. Agora a Rússia já fez a mobilização e levou para a linha da frente um número significativo de tropas e de tanques", acrescentou.

Presidente entre 2014 e 2019, Poroshenko lidera agora um partido da oposição, mas apoia a unidade nacional na luta contra a Rússia. O envio de aviões a jato militares, conhecidos por caças, seria decisivo, afirmou.

A propósito, não se trata de uma arma ofensiva. Os caças serviriam para proteger os ucranianos, o espaço aéreo que é atacado pela Rússia.
Petro Poroshenko
Ex-presidente da Ucrânia

"O que é que agora mudaria o jogo? Seriam os caças. E deve ser feito imediatamente, não perdendo mais tempo. É preciso um programa de treino para os pilotos ucranianos e preparar a entrega dos caças na Ucrânia. A propósito, não se trata de uma arma ofensiva. Os caças serviriam para proteger os ucranianos, o espaço aéreo que é atacado pela Rússia, e assim acabar com o domínio russo no espaço aéreo ucraniano", disse.

A euronews recordou que, enquanto presidente, negociou com o presidente russo Vladimir Putin no âmbito do acordo de Minsk. 

Questionado se não vê espaço para negociações de paz entre a Ucrânia e a Rússia, Poroshenko usou uma certa ironia: "Não, isso não é verdade. Deveríamos ter um negociador muito profissional, um grande negociador, um grande diplomata para se sentar em frente do presidente Putin. E eu sei quem pode ser esse negociador, esse diplomata. Sabe qual é o nome dele? Forças Armadas da Ucrânia". 

"Tivemos uma grande negociação com o presidente Putin na fronteira de Kiev, quando o empurramos para fora. Também houve uma grande negociação quando o presidente Putin ocupava a região de Kharkiv e o empurramos para fora. Tivemos uma grande negociação quando ele ocupou a região de Kherson, que foi o único centro regional ocupado após 24 de fevereiro, e descobrimos argumentos suficientes para empurar Putin de lá para fora. Vamos tornar este negociador mais forte", concluiu.