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Protestos anti-imigração são "alerta" para Governo britânico, diz comissária da polícia

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Manifestantes bloquearam uma estrada e impediram o transporte de requerentes de asilo para um centro de triagem.
Manifestantes bloquearam uma estrada, impedindo que requerentes de asilo fossem levados para um centro de triagem -  Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Simon Ormiston
Publicado a •Últimas notícias
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Fim de semana de protestos em Portsmouth e Dover expõe tensões sobre travessias do Canal, apesar da garantia do Governo de que as chegadas estão a diminuir.

O Governo britânico classificou centenas de manifestantes como "arruaceiros", depois de estes terem bloqueado estradas numa tentativa de impedir que requerentes de asilo saíssem de Portsmouth, no domingo.

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O protesto ocorreu depois de cerca de 140 migrantes terem chegado em pequenos barcos, numa altura em que as tensões em torno das travessias do Canal da Mancha continuam a aumentar.

"Condenamos o comportamento intimidatório e arruaceiro que vimos em Portsmouth ontem à noite", afirmou, em comunicado, um porta-voz do Ministério do Interior britânico.

"O direito ao protesto pacífico é fundamental para a nossa democracia, mas nunca pode transformar-se em desordem".

Imagens mostraram manifestantes, muitos vestidos de preto e com o rosto coberto, a confrontarem agentes da polícia equipados com escudos antimotim, que formavam um cordão em redor dos autocarros que transportavam os migrantes para um centro de processamento.

Fontes oficiais indicaram que a transferência acabou por ser concluída com sucesso.

A comissária da Polícia e do Crime de Hampshire, Donna Jones, afirmou à BBC que o protesto foi "um sinal de alarme" para o Governo britânico.

Jones sublinhou que "as pessoas têm direito a um protesto pacífico" e que foi "em grande medida" o que aconteceu na noite de domingo. Acrescentou, no entanto, que "foram cometidos crimes, que serão agora investigados", e que não ficaria surpreendida se houvesse detenções com base nas imagens recolhidas.

Afirmou ainda que "centenas" de pessoas protestaram legalmente, mas advertiu que o episódio é "um sinal de alerta para o Governo... de que os britânicos estão fartos da falta de controlo das nossas fronteiras".

O protesto de domingo seguiu-se a uma manifestação semelhante no sábado, quando grupos de pessoas mascaradas bloquearam o acesso ao porto de Dover.

As autoridades francesas disseram que a embarcação que transportava os 140 migrantes tinha partido da Baía do Sena, na Normandia, numa rota invulgarmente longa e mais arriscada do que as utilizadas habitualmente, com partida de pontos mais próximos de Calais e chegada perto de Dover.

Chegadas ao condado de Hampshire, onde se situa Portsmouth, continuam a ser extremamente raras.

Outro deputado conservador local, Joe Robertson, considerou a situação "extremamente preocupante" e questionou se os traficantes de pessoas estarão a abrir novas rotas para embarcações de maior dimensão.

Estes episódios de tensão surgem apesar de dados recentes sugerirem que as travessias estão a abrandar. O Ministério do Interior britânico indicou que as chegadas pelo Canal da Mancha em agosto desceram para o nível mais baixo desde o início dos registos, em 2018, com o número de migrantes a atingir o valor mais baixo desde 2020.

O número médio de passageiros por embarcação tem vindo a aumentar nos últimos meses. Cerca de 16.513 migrantes atravessaram o Canal da Mancha em pequenos barcos desde o início do ano.

Trata-se de uma pequena fração do total de chegadas ao Reino Unido, que ultrapassa as 800 mil pessoas, na maioria através de vias legais, com vistos de estudante ou de trabalho.

A questão continua a alimentar o apoio ao partido Reform UK, sublinhando como a migração se mantém um dos temas políticos mais voláteis em toda a Europa.

Outras fontes • AFP, AP

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