O veneno que cura

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De  Euronews
O veneno que cura

<p><strong>Seja uma cascavel ou outro animal venenoso, a verdade é que podem ajudar a curar-nos. O mesmo veneno que nos pode matar é igualmente suscetível de tratar doenças cardiovasculares, alergias, obesidade e diabetes.</strong></p> <p>O Alpha Biotoxine é um laboratório belga que acolhe cerca de 200 espécies extremamente venenosas, para recolher toxinas e testar novos medicamentos. O diretor, Rudy Fourmy, salienta que <em>“a investigação científica está, hoje em dia, a tentar identificar nos venenos substâncias cujos efeitos tóxicos podem ser transformados para fins terapêuticos.”</em></p> <p>Este é o conceito por detrás do <a href="http://www.venomics-project.eu/">consórcio europeu Venomics</a>, que recorre à espetometria de massa para identificar os péptidos, a <a href="http://www.publico.pt/ciencia/noticia/consorcio-europeu-esta-a-procura-dos-venenos-que-curam-1660224">combinação molecular das pequenas proteínas presentes nas toxinas</a>. Já se registaram 4 mil novas classificações.</p> <p>A etapa seguinte consiste num complexo processo de sintetização. O método é reproduzido com vista à criação de uma base de dados com a sequenciação de 50 mil péptidos de venenos. Gilles Mourier, do centro francês de investigação <span class="caps">CEA</span> Saclay, aponta que <em>“no final da sintetização obtém-se uma resina. Esta resina é tratada de forma a gerar a toxina que pretendemos testar.”</em></p> <blockquote class="twitter-tweet" lang="en"><p lang="en" dir="ltr">Fearless <a href="https://twitter.com/hashtag/Futuris?src=hash">#Futuris</a> crew report on how venomous species could help treat <a href="https://twitter.com/hashtag/diabetes?src=hash">#diabetes</a> or <a href="https://twitter.com/hashtag/allergies?src=hash">#allergies</a>. Soon on <a href="https://twitter.com/euronews"><code>euronews</a> <a href="https://t.co/dTLu0zCuO2">pic.twitter.com/dTLu0zCuO2</a></p>— euronews knowledge (</code>euronewsknwldge) <a href="https://twitter.com/euronewsknwldge/status/684660676091080704">January 6, 2016</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script> <p>Nicolas Gilles, do mesmo centro, explica que se estudam <em>“recetores implicados em doenças como alergias, diabetes ou obesidade, porque são áreas onde há falhas a nível de tratamentos. A descoberta e classificação das substâncias costuma durar 2,3 anos. Depois são necessários 10 a 15 para as desenvolver antes de entrarem no mercado.”</em></p> <p>Se os benefícios que as criaturas venenosas podem trazer-nos vão ou não mudar a nossa perceção sobre elas, é toda uma outra questão. Segundo Rudy Fourmy, <em>“a maior parte destes animais é ameaçada pela caça ilegal, os ecossistemas onde vivem estão a ser destruídos. Se provarmos que nos podem ser muito úteis, talvez passemos a ter outro cuidado, até para proteger o nosso futuro.”</em></p>