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Regiões europeias apostam na "especialização inteligente"

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De  Euronews
Regiões europeias apostam na "especialização inteligente"

<p><strong>O Real Economy foi até Bolonha, a maior cidade da região italiana de Emilia-Romagna, para falar de estratégias de desenvolvimento económico que assentam nas mais-valias competitivas que cada região europeia tem a oferecer. Descubra os princípios da</strong> <a href="http://ec.europa.eu/regional_policy/sources/docgener/informat/2014/smart_specialisation_pt.pdf">especialização inteligente</a>.</p> <p>É um dos objetivos da agenda de crescimento da União Europeia: promover a inovação industrial ao <a href="https://www.fct.pt/esp_inteligente/index.phtml.pt">nível nacional e regional</a>. Para aceder aos fundos que existem, como o <a href="http://ec.europa.eu/regional_policy/pt/funding/erdf/"><span class="caps">FEDER</span></a>, é necessário delinear um plano de “especialização inteligente”. Há 40 mil milhões de euros previstos para a investigação e desenvolvimento. Mas em que consiste exatamente a <a href="http://s3platform.jrc.ec.europa.eu/home">especialização inteligente</a>? Aqui fica uma breve história elucidativa num planeta não muito distante.</p> <h3>Um novo mundo assente na especialização</h3> <p><em>No planeta imaginário de Zotopia, há mais ovelhas do que habitantes. A produção de lã é crucial para a economia. No entanto, o setor é pouco competitivo. Não tardou muito até os habitantes sentirem a necessidade de modernizar a atividade. Toda a gente se sentou à mesma mesa para decidir o caminho a tomar: os políticos, os pastores, os comerciantes, os empresários, os cientistas.</em></p> <p><em>Juntos fizeram um brainstorming para criar métodos de produção inovadores que combinam tecnologia e estratégia de mercado, no sentido de promover novas oportunidades. Isto chama-se “descoberta empresarial”.</em></p> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="fr"><p lang="en" dir="ltr">.<a href="https://twitter.com/S3Platform"><code>S3Platform</a>: SMEs and <a href="https://twitter.com/hashtag/smartspecialisation?src=hash">#smartspecialisation</a> in Europe <a href="https://twitter.com/hashtag/smartspec?src=hash">#smartspec</a> <a href="https://t.co/0UfSjaxHmJ">https://t.co/0UfSjaxHmJ</a> <a href="https://t.co/ATKfthO45i">pic.twitter.com/ATKfthO45i</a></p>&mdash; Smart Spec Hub (</code>SmartSpecHub) <a href="https://twitter.com/SmartSpecHub/status/768403724024897536">24 août 2016</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script> <p><em>Não há espaço para as grandes indústrias dominarem o processo: as ideias de todos os participantes devem ter o mesmo peso. Com os fundos necessários e o apoio vindo da galáxia, a especialização inteligente arrancou. Em menos de nada, surgiram privados interessados em investir. Zotopia entrou num ciclo de crescimento.”</em></p> <h3>Esperar por propostas para definir áreas prioritárias</h3> <p>Mas será que esta estratégia pode realmente tornar-se num motor de crescimento em todas as regiões europeias? </p> <p>A Vivadental é uma clínica dentária em Gdansk, na Polónia, que desenvolve tecido ósseo a partir das células estaminais dos pacientes. A tecnologia foi criada em conjunto com uma universidade local e uma empresa farmacêutica. É um exemplo apresentado como dos mais bem-sucedidos em termos de especialização inteligente nesta região.</p> <iframe width="560" height="315" src="https://www.youtube.com/embed/H7RTew4pMFY" frameborder="0" allowfullscreen></iframe> <p><em>“O concurso para a especialização inteligente começou em 2014. Para nós era óbvio que tínhamos de participar: conhecemos bem o potencial da nossa clínica, da Universidade de Tecnologia e sabemos aquilo que os pacientes necessitam”</em>, declara Milena Supernak-Marczewska, representante desta clínica.</p> <p>A mobilização do setor privado <a href="http://s3platform.jrc.ec.europa.eu/documents/20182/133703/Pomorskie_3S_280113_final_with_comments.pdf">colocou a Pomerânia na linha da frente</a>. Ao contrário doutras regiões polacas, aqui as áreas de especialização são definidas só depois de terem sido apresentadas propostas concretas de empresas ou institutos de pesquisa.</p> <p><em>“Somos a única região do país que organizou um concurso para propostas de especialização inteligente. Não são só as ideias que importam, mas sim projetos concretos que possam ser comercializados a nível global. Pensamos em termos internacionais”</em>, salienta Karolina Lipińska, coordenadora local desta estratégia.</p> <script id="infogram_0_e7ec3efe-f78a-44e7-ae1c-6790dea18d39" title="Research and innovations priorities" src="//e.infogr.am/js/embed.js?qzY" type="text/javascript"></script> <p>A abordagem permitiu definir quatro setores prioritários: médico, logístico, tecnologias de informação e eficiência energética. As cerca de três centenas de empresas envolvidas providenciaram metade do financiamento, complementando os 250 milhões de euros atribuídos pelo fundo regional europeu.</p> <p>Segundo Karolina Lipińska, <em>“os fundos públicos não são a única fonte de financiamento: as empresas também têm de aplicar o seu próprio capital. Isso torna os projetos mais eficientes e financeiramente sustentáveis”.</em></p> <p>O setor privado na Polónia representa menos de 40% nos gastos em Investigação e Desenvolvimento. Mas, na Pomerânia, os números aproximam-se dos 55% que compõem a média europeia: 49,6%. Até 2020, esta região conta apresentar outras posições destacadas, nomeadamente na criação de emprego, no acesso ao ensino superior e a cuidados médicos.</p> <h3>A visão de Patrizio Bianchi, especialista em Economia e responsável do governo regional de Emilia-Romagna</h3> <p><strong>Maithreyi Seetharaman, euronews:</strong> A <a href="http://territorio.regione.emilia-romagna.it/nucleo-valutazione/documenti/pubblicazioni/documento-strategico-regionale-programmazione-dei-fondi-strutturali-e-di-investimento-europei-sie-2014-2020">região de Emilia-Romagna</a> está a impulsionar a especialização inteligente em setores como o automóvel, a construção, a cultura e a criatividade. Já há resultados à vista?</p> <p><strong>Patrizio Bianchi:</strong> Os resultados têm sido excelentes. A especialização inteligente consiste em incentivar as pessoas a trabalharem em conjunto. Já foram criados mais 50 mil postos de trabalho. Do lado da investigação, temos mais cerca de mil cientistas. É este o caminho que queremos seguir no futuro: colocar as universidades, as empresas e os organismos de formação profissional a trabalharem juntos.</p> <p><strong>euronews:</strong> Que previsões faz em termos de crescimento e criação de emprego?</p> <p><strong>PB:</strong> Nós temos de explorar todas as possibilidades que a tecnologia oferece e que nos permitem ter uma vida melhor. É esse o potencial que temos pela frente. Isso implica a criação de muitas novas empresas, de novos serviços, de novas frentes de investigação e de novas formas de entendimento para podermos trabalhar em conjunto.</p> <p><strong>euronews:</strong> E no que toca às regiões com indústrias mais tradicionais, de base mais rural… Como é que elas podem identificar os seus pontos mais fortes e atrair investidores?</p> <p><strong>PB:</strong> Este é um período extraordinário, a agricultura está a atravessar uma grande revolução. Não estou a falar de campos imensos de cultivo; estou a falar de produções cada vez mais específicas, adaptadas a um determinado clima, por exemplo. Também temos de explorar a possibilidade de criar novos produtos. Há muita inovação nesta área. Hoje em dia, a inovação concentra-se na indústria. Chegou o momento de dar essa possibilidade de explorar a tecnologia às pessoas que vivem nas zonas rurais.</p> <p><strong>euronews:</strong> E como é que se evita que as grandes indústrias ditem a agenda política?</p> <p><strong>PB:</strong> Esse é um conceito político ultrapassado: a política industrial baseada na atribuição de subsídios a quem não merece ou precisa. A nova abordagem que defendemos assenta no estabelecimento de condições para que toda a gente possa criar a sua própria atividade e colaborar com os outros. Não há especialização inteligente se não houver cooperação inteligente, nem complementaridade inteligente. Tudo isto significa trabalhar em conjunto para promover o crescimento. Esta é que é a chave da nova política industrial: a criação de ligações entre todos. Uma sociedade que é capaz de se dinamizar, de promover a inovação, representa o conceito da Europa. É assim que vamos mudar a Europa.</p>