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Os bancos europeus tornaram-se realmente seguros?

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De  Euronews
Os bancos europeus tornaram-se realmente seguros?

<p><strong>A crise financeira apertou o cinto regulatório sobre os bancos através, por exemplo, de mais testes de stress. Mas o reforço do sistema não trouxe mais dinheiro para a economia. Agora, uma série de</strong> <a href="http://expresso.sapo.pt/economia/2016-11-23-Sector-bancario-Dombrovskis-defende-pacote-de-reducao-de-risco">novas propostas da Comissão Europeia</a> <strong>pretende ajudar a mudar isso mesmo. As novas regulações europeias vão mesmo conseguir estabilizar os bancos? Haverá mais oportunidades de crédito e menos faturas a pagar para os contribuintes?</strong> </p> <p><a href="http://www.europarl.europa.eu/atyourservice/pt/displayFtu.html?ftuId=FTU_4.2.4.html">União Bancária</a>, <a href="http://www.consilium.europa.eu/pt/policies/banking-union/single-rulebook/capital-requirements/">Requisitos de Fundos Próprios</a> (<span class="caps">RRFP</span>), <a href="https://www.bankingsupervision.europa.eu/about/ssmexplained/html/npl.pt.html">Créditos Não Produtivos</a> – o risco é que a nossa atenção comece a divagar com esta lista de designações, sem pensarmos no impacto que tudo isto tem nas nossas vidas.</p> <script id="infogram_0_05309d82-696f-41f5-b524-ec89e319d26a" title="Real Economy leverage ratio" src="//e.infogr.am/js/dist/embed.js?hKO" type="text/javascript"></script> <p>As <a href="http://ec.europa.eu/portugal/news/reforms-strengthen-resilience-eu-banks_pt">novas propostas</a> de Bruxelas resultam de um longo processo de análise efetuado em conjunto com os bancos europeus, após vários testes de stress e não só. Mas as <span class="caps">PME</span> ainda têm dificuldades em aceder a empréstimos e os investidores ainda se mostram preocupados quanto à saúde dos bancos. Porquê?</p> <h3>“As empresas procuram financiamento diretamente nos mercados”</h3> <p>O valor do petróleo e as oscilações políticas são fatores já conhecidos na equação das incertezas. Mas os investidores receiam os efeitos doutros elementos, como <a href="http://www.jornaldenegocios.pt/empresas/banca---financas/detalhe/deutsche_bank_confirma_intencao_de_multa_recorde_de_14_mil_milhoes_de_dolares_nos_eua">as multas que as grandes instituições bancárias enfrentam</a>.</p> <p>Segundo Pascal Bernachon, responsável da <span class="caps">KBL</span> Richelieu, <em>“a rentabilidade dos bancos é bastante inferior ao que costumava ser. Porquê? A regulação representa um fator negativo. Outro fator é que as empresas começaram a procurar financiamento não no sistema bancário, mas diretamente nos mercados. E, depois, vemo-nos confrontados com os erros do passado, com uma série de penalizações anunciadas. Não esqueçamos que o Deutsche Bank enfrenta uma multa na ordem dos 15 mil milhões de dólares”.</em></p> <p>De um sistema pouco regulado, passou-se para o excesso, dizem alguns. As medidas de proteção dos contribuintes, como os Requisitos de Fundos Próprios ou o controlo dos Créditos Não Produtivos, estarão a coibir os bancos de fornecer crédito.</p> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="fr"><p lang="en" dir="ltr">European <a href="https://twitter.com/hashtag/banks?src=hash">#banks</a> went through a rough 2016. <a href="https://twitter.com/hashtag/RealEconomy?src=hash">#RealEconomy</a> goes to Paris, London and Brussels to find out why, and if <span class="caps">YOUR</span> bank is safe. <a href="https://twitter.com/hashtag/Yoyo?src=hash">#Yoyo</a> <a href="https://t.co/xoDVeHMFRf">pic.twitter.com/xoDVeHMFRf</a></p>— Guillaume Desjardins (@GuilDesjardins) <a href="https://twitter.com/GuilDesjardins/status/806827369856110592">8 décembre 2016</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script> <p>Há 13 bancos europeus cuja importância global justifica uma proteção a todo o custo. São os chamados <a href="http://dinheirodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=257434">bancos sistémicos</a>. Ou seja, em caso de problema, são mesmo os contribuintes que serão chamados a pagar. Como promover o acesso ao crédito e o crescimento sem prejudicar os contribuintes? Perguntamos à Autoridade Bancária Europeia (<span class="caps">EBA</span>).</p> <p><em>“É essencial conhecer a realidade dos bancos, que têm de resolver o legado que receberam e de olhar para o futuro de forma sustentável. Todos os estudos indicam que só os bancos solidamente capitalizados podem fornecer o crédito necessário seja em tempos de crise ou não. Uma instituição com um capital fraco só o fará com uma alavancagem excessiva, o que é altamente volátil e pode mesmo prejudicar a economia em geral”</em>, afirma um dos diretores da <span class="caps">EBA</span>, Piers Haben.</p> <h3>A visão de Valdis Dombrovskis, vice-presidente da Comissão Europeia</h3> <p><strong>Maithreyi Seetharaman, euronews:</strong> Bruxelas apresentou recentemente um conjunto de propostas para tornar os bancos mais resistentes a cenários de crise e para incentivar, de novo, a uma maior abertura ao crédito. Em que consistem precisamente estas propostas?</p> <p><strong>Valdis Dombrovskis:</strong> Uma das propostas prevê que os contribuintes não sejam os primeiros a pagar pelos erros do setor bancário. Contemplamos também a preservação da diversidade do setor bancário europeu e a abertura do espetro do acesso ao crédito. São impostos aos bancos requisitos mais apertados em termos de capitais, garantindo que até as instituições de maior dimensão – denominadas de importância sistémica global (G-<span class="caps">SIB</span>s) – tenham recursos próprios suficientes para poderem apresentar uma solução caso as coisas corram mal. Ao mesmo tempo, estamos a definir formas de facilitar de novo o acesso ao crédito na economia em geral, nomeadamente às pequenas e médias empresas…</p> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="fr"><p lang="en" dir="ltr">We broke down new <a href="https://twitter.com/hashtag/EU?src=hash">#EU</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/banking?src=hash">#banking</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/Regulation?src=hash">#Regulation</a> proposals with <a href="https://twitter.com/VDombrovskis"><code>VDombrovskis</a> <a href="https://t.co/eNCp6ChWih">https://t.co/eNCp6ChWih</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/basel3?src=hash">#basel3</a></p>&mdash; Maithreyi (</code>maithreyi_s) <a href="https://twitter.com/maithreyi_s/status/806865958740652032">8 décembre 2016</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script> <p><strong>euronews:</strong> Há medidas concretas que garantam aos cidadãos que os bancos têm a capacidade de emprestar mais?</p> <p><strong>VD:</strong> Há propostas específicas como o Rácio de Alavancagem, o Rácio de Financiamento Líquido Estável, a Revisão Fundamental da Carteira de Negociação. São medidas destinadas a reduzir os riscos do setor bancário. E ao reduzirmos esses riscos, temos de perceber também como é que podemos facilitar o acesso ao crédito. Um dos aspetos que foram introduzidos consiste na redução dos critérios exigidos aos bancos se estes emprestarem dinheiro a pequenas e médias empresas, por exemplo. Ou então, organismos que financiem projetos de infraestruturas ou empresas desse setor.</p> <p><strong>euronews:</strong> Há quem considere que as propostas vão obrigar os bancos a assumir novas dívidas astronómicas. Que impacto pode isso ter na obtenção de crédito e como é que os governos estão a reagir?</p> <p><strong>VD:</strong> Para que os bancos possam providenciar crédito à economia, primeiro têm de atrair financiamentos. A proposta chamada Capacidade de Absorção Total de Perdas estipula que os bancos tenham de angariar recursos necessários para um cenário de resgate. Ou seja, o banco deve ter credores próprios suficientes que garantam a absorção de eventuais perdas. É um mecanismo que surge em oposição ao resgate que envolve partes externas, nomeadamente os contribuintes.</p> <p><strong>euronews:</strong> Considera que estas propostas vão reforçar a posição dos bancos europeus no contexto global?</p> <p><strong>VD:</strong> A posição europeia é que a conclusão dos Acordos de Basileia 3 não deve acarretar o aumento generalizado dos requisitos de capital. Primeiro, temos de ter um sistema bancário sólido e estável, de forma a evitar um recuo ao modelo praticado antes da crise, no qual havia muita desregulação e os bancos assumiam riscos excessivos. Vários países ainda têm níveis elevados de Créditos Não Produtivos no setor bancário. Estamos a trabalhar de perto com esses países para tentar resolver esse problema e impedir os bancos de abrirem novos créditos.</p> <p><strong>euronews:</strong> É possível convencer toda a gente a embarcar no <a href="http://www.consilium.europa.eu/pt/policies/banking-union/single-rulebook/deposit-guarantee-schemes/">Sistema Europeu de Garantia de Depósitos</a>, a última barreira de defesa dos contribuintes?</p> <p><strong>VD:</strong> Nós já temos um <a href="https://www.dinheirovivo.pt/banca/692640/">Mecanismo Único de Supervisão</a> e um <a href="https://www.bportugal.pt/page/mecanismo-unico-de-resolucao">Mecanismo Único de Resolução</a>. O Sistema Europeu de Garantia de Depósitos é o terceiro pilar da União Bancária. Esperamos obter novos acordos no âmbito das medidas de redução de riscos e também no sentido de implementar este Sistema Europeu de Garantia de Depósitos.</p>