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Financiar o futuro da Europa no Espaço

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De  Euronews  com euronews, esa
Financiar o futuro da Europa no Espaço

<p>Os líderes do setor espacial europeu reuniram-se, na Suíça, para uma cimeira sobre o futuro de alguns dos mais importantes programas, como a <a href="http://www.esa.int/Our_Activities/Human_Spaceflight/International_Space_Station/About_the_International_Space_Station">Estação Espacial Internacional</a> (<span class="caps">ISS</span>) ou a <a href="http://exploration.esa.int/mars/46048-programme-overview/">missão ExoMars</a>. </p> <p>Lucerna foi o palco da cimeira ministerial do Espaço da Agência Espacial Europeia (<span class="caps">ESA</span>), um encontro crucial, que reúne, de dois em dois anos, os 22 países membros da agência. Durante 48 horas foi debatido o futuro da Europa no Espaço.</p> <p>Chegar a consensos é um processo difícil, refere <a href="http://www.esa.int/About_Us/Welcome_to_ESA/Daniel_Neuenschwander_br_Director_of_LAU">Daniel Neunschwander</a>, que depois de ter sido o representante suíço na agência é agora o diretor de lançadores espaciais da <span class="caps">ESA</span>:</p> <p>“Um conselho ministerial nunca é fácil. Este é o meu sexto conselho ministerial, o primeiro do lado da <span class="caps">ESA</span> e posso garantir que é sempre difícil”.</p> <p>“É sempre muito difícil chegar a um consenso. Mas, acabamos sempre por conseguir. É por isso que temos tido resultados muito positivos. Mas, as noites, as madrugadas, os dias são muito duros”, acrescenta a presidente do conselho executivo do centro aeroespacial alemão (<span class="caps">DLR</span>), <a href="http://www.dlr.de/dlr/en/desktopdefault.aspx/tabid-10329/510_read-14467">Pascale Ehrenfreund</a>.</p> <p>Os dias anteriores à cimeira foram complicados. Em novembro, o <a href="http://exploration.esa.int/mars/47852-entry-descent-and-landing-demonstrator-module/">módulo de aterragem Schiaparelli</a> <a href="http://www.dn.pt/sociedade/interior/schiaparelli-tentou-aterrar-quando-estava-a-quase-4-quilometros-de-marte-5515681.html">despenhou-se em Marte por causa de um problema no sistema de navegação</a>. Uma perda para missão ExoMars, a juntar a um défice de 436 milhões de euros, o que levava membros da indústria a admitir que o projeto conjunto da Europa e da Rússia estava em risco de ser abandonado.</p> <p>“Tivemos algumas dúvidas. Mas a confiança vinha do facto de que todos, os que precisam de saber, sabiam que íamos continuar. Temos trabalhado como se os fundos já estivessem garantidos”, recorda Vincenzo Giorgio, vice-presidente da <a href="https://www.thalesgroup.com/en/worldwide/space/science-and-space-exploration-0">Thales Alenia Space</a>, o principal fornecedor da missão ExoMars)).</p> <p>Prosseguir com a missão ExoMars revelou-se uma aposta vencedora. O governo italiano prometeu mais 35 milhões de euros para o programa.</p> <p>No jogo da política espacial, a missão ExoMars saiu vencedora: Reino Unido e França garantiram o financiamento necessário para completar o projeto do veículo de exploração (‘rover’) de Marte para 2020.</p> <p>A missão ExoMars está assegurada e, da órbita de Marte, a <a href="http://exploration.esa.int/mars/46475-trace-gas-orbiter/">sonda <span class="caps">TGO</span></a> (Trace Gas Orbiter) enviou novas imagens em alta definição da superfície do planeta vermelho.</p> <p>Para <a href="http://www.esa.int/About_Us/Welcome_to_ESA/David_Parker_br_Director_of_HRE">David Parker</a>, diretor de voos espaciais tripulados e exploração robótica, da <span class="caps">ESA</span>, “há desafios, as coisas nem sempre correm bem. Aprendemos com os erros e seguimos em frente. Mas, penso que o facto de conseguirmos demonstrar que já estamos a retirar proveitos da primeira fase da missão ExoMars ajudou às decisões. Mas, o resultado também tem a ver com o impacto potencial, as emoções que a missão gera e o valioso conhecimento científico que irá surgir dela”.</p> <p>O outro grande projeto a necessitar de financiamento era a Estação Espacial Internacional.</p> <p>A <span class="caps">ESA</span> chegou a um acordo que deve permitir que o programa continue até 2024. Mas, ainda há grandes questões por responder sobre quando é que a <span class="caps">ISS</span> será substituída e pelo quê.</p> <p>Pascale Ehrenfreund refere que “a Alemanha fez uma contribuição que permite que a Estação Espacial continue até 2024. O nosso governo assumiu o compromisso até essa data. O que irá acontecer depois da Estação Espacial é algo que vamos discutir com os nossos parceiros europeus ao longo do próximo ano”.</p> <p>“O futuro será decidido nas discussões entre os parceiros da Estação Espacial Internacional. Estamos confiantes que a exploração espacial irá continuar. Falamos sobre a lua, sobre Marte e sempre acreditei que uma coisa não impede a outra”, explica <a href="https://cnes.fr/en/jean-yves-le-gall">Jean-Yves Le Gall</a>, presidente da agência espacial francesa, <span class="caps">CNES</span>.</p> <p>Nem todos os projetos saíram a ganhar da cimeira de Lucerna. Foi o caso da <a href="http://www.esa.int/Our_Activities/Space_Engineering_Technology/Asteroid_Impact_Mission/Asteroid_Impact_Mission2"><span class="caps">AIM</span></a>, a missão para desviar um asteroide.</p> <p>Vista como um teste para ver se o planeta Terra poderia evitar a colisão de um asteroide, a missão não conseguiu angariar os 100 milhões de euros necessários para prosseguir no modelo atual.</p> <p>Pascale Ehrenfreund explica que “foi necessário muitíssimo dinheiro da parte de todos os países para assegurar o futuro da Estação Espacial, da ExoMars e de outros programas. Foi essa a razão (porque não se conseguiu o financiamento), não foi por falta de interesse”.</p> <p>No total, vão ser gastos 508 milhões de euros por ano em missões científicas e alguns projetos estão já aí à porta. </p> <p>Segundo David Parker, da <span class="caps">ESA</span>: “2018 vai ser um ano fantástico. Vamos lançar o telescópio James Webb, o maior telescópio espacial de todos os tempos. A missão europeia BepiColombo irá a Mercúrio e estamos a trabalhar intensamente no programa científico de uma missão a Júpiter e às suas luas geladas, que será incrível”.</p> <p>Foi também garantida a transição do pesado lançador europeu Ariane 5 para o menos oneroso <a href="http://www.esa.int/Our_Activities/Launchers/Launch_vehicles/Ariane_6">Ariane 6</a>. O <a href="http://spaceflightnow.com/2016/08/13/ariane-6-rocket-holding-to-schedule-for-2020-maiden-flight/">voo inaugural do novo foguetão deverá ocorrer em 2020</a>.</p> <p>Milhões de euros vão continuar a ser investidos na observação da Terra e nas telecomunicações. Milhões que os ministros recordam que têm um retorno direto em contratos para empresas de toda a Europa.</p> <p>“Necessitamos de uma pequena empresa sueca num domínio particular, necessitamos dos alemães, necessitamos dos italianos, dos franceses. Necessitamos que a equipa europeia para o Espaço se una para estar ao nível, por exemplo, dos norte-americanos, que gastam dez vezes mais do que nós (nestes programas)”, explica <a href="http://www.gouvernement.fr/ministre/thierry-mandon">Thierry Mandon</a>, secretário de Estado da Educação e Investigação do governo francês.</p> <p>No total, o conselho de ministros terminou com um orçamento de 10,3 mil milhões de euros para os próximos três a oito anos, um pouco menos dos 11 mil milhões de euros pedidos pela <span class="caps">ESA</span>, mas um claro sinal de confiança política no setor espacial da Europa.</p>