Porque é que Lyon é considerada a capital da gastronomia?

Porque é que Lyon é considerada a capital da gastronomia?
De  Euronews

<p><strong>São dois mil anos de história, portanto</strong> <a href="http://www.lyon-france.com/Que-faire/Culture-loisirs/Quartiers/Lyon-Patrimoine-Mondial-de-l-Unesco">Lyon</a> <strong>tem mais do que motivos para justificar a visita de aproximadamente</strong> <a href="http://www.lefigaro.fr/voyages/2016/09/05/30003-20160905ARTFIG00163-lyon-elue-meilleure-destination-pour-les-week-end-en-europe.php">6 milhões de turistas por ano</a>. <strong>Um deles é a famosa cozinha local. Afinal, esta cidade é muitas vezes apontada como a capital mundial da gastronomia. Para sabermos porquê começámos por visitar os</strong> <a href="http://www.halles-de-lyon-paulbocuse.com/les-halles/">Halles Paul Bocuse</a>, <strong>um mercado gourmet, acompanhados pelo chef Mathieu Viannay.</strong></p> <p><em>“Os Halles são um pouco como o estômago de Lyon. Aqui é o templo da charcutaria local”</em>, começa por nos dizer Viannay, depois de nos mostrar uma bancada especializada na venda de carne de porco aos restaurantes típicos – os ‘bouchons’ – e a mercearias de todo o país.</p> <p><em>“Aqui têm patos e pintadas magníficos… Está a ver aqui as penas. É magnífico. E depois são embalados à mão, cosem este tecido e, quanto o retiramos, vemos a gordura que está acondicionada. É fantástico”</em>, remata o chef distinguido com o prémio de Melhor Cozinheiro de França em 2004.</p> <p>No final da visita, uma outra especialidade: brioches com pralinas de amêndoa. <em>“Muito, muito lionês…”</em>, dizem-nos.</p> <h3>“Não encontra isto em mais lado nenhum”</h3> <p>Seguimos Viannay até ao restaurante que dirige, uma instituição: “La Mère Brazier”, criado por uma das chamadas <a href="http://www.voltaaomundo.pt/2015/06/11/lyon-uma-viagem-gastronomica/">Mães de Lyon</a>, as antigas cozinheiras da burguesia. Temos “andouillettes”, ostras da Normandia e “galettes” da Bretanha.</p> <p><em>“Aqui não se cozem as coisas com água: é uma cozinha à base de manteiga, de natas. Lyon é assim”</em>, aponta o chef.</p> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="pt"><p lang="fr" dir="ltr">Foie gras et artichaut, ris de veau et risotto de céleri, Paris-brest. Excellent repas à La Mère Brazier, 2* à <a href="https://twitter.com/hashtag/Lyon?src=hash">#Lyon</a> <a href="https://t.co/GzeVTT8ZSS">pic.twitter.com/GzeVTT8ZSS</a></p>— Le guide <span class="caps">MICHELIN</span> (@guideMichelinFR) <a href="https://twitter.com/guideMichelinFR/status/702900074842554368">25 de fevereiro de 2016</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script> <p>O prato que vamos degustar está quase terminado. Falta juntar molho de manteiga branca, natas e caviar, sem esquecer o detalhe das flores de borragem. <em>“Não encontra isto em mais lado nenhum”</em>, sublinha Viannay.</p> <h3>Bocuse, a escola que atrai alunos do mundo inteiro</h3> <p>O mercado que visitámos no início ostenta o nome de um dos chefs mais famosos do mundo, Paul Bocuse, que criou o seu próprio instituto há mais de 25 anos. Tornou-se numa prestigiada escola de hotelaria e restauração que atrai estudantes do mundo inteiro.</p> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="fr"><p lang="fr" dir="ltr">.<a href="https://twitter.com/PaulBocuse"><code>PaulBocuse</a> raconte sa ville de coeur <a href="https://twitter.com/hashtag/Lyon?src=hash">#Lyon</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/Halles?src=hash">#Halles</a> <a href="https://t.co/oWgltNgMJZ">https://t.co/oWgltNgMJZ</a> <a href="https://t.co/Jzu3e0wpSq">pic.twitter.com/Jzu3e0wpSq</a></p>&mdash; Le Progrès de Lyon (</code>leprogreslyon) <a href="https://twitter.com/leprogreslyon/status/811140724544704512">20 décembre 2016</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script> <p>No restaurante do instituto, são os alunos que fazem tudo. O chef Davy Tissot ajuda os estudantes a revisitarem a gastronomia francesa, dando um novo rosto a pratos tradicionais como a “blanquette de veau”, um guisado de vitela. Tudo com produtos da região de Lyon.</p> <p><em>“Temos a melhor carne de aves, que vem de Bresse, temos vários tipos de cogumelos selvagens que são recolhidos aqui na região. Temos produtos muitos bons. Esta é a receita original da ‘quenelle’, que veio de Florença. Era à base de vitela. Eu fiz algumas alterações, faço-a à base de lagostins. E mantenho o lado tradicional do prato lionês, com a massa e molho à base de lúcio. Neste caso, o resultado é uma ‘mousseline’, é algo de muito leve”</em>, explica Tissot.</p> <p>Uma arte e um <a href="https://www.alimentarium.org/en/magazine/gastronomy/lyon-international-city-gastronomy">savoir-faire</a> que atraem alunos de 49 países. Carla Kirsh Lopez veio do México: <em>“Queria aprofundar os meus conhecimentos e, para mim, era evidente que tinha de ser no Instituto Bocuse. A cozinha francesa tem regras rigorosas. Gosto deste ‘savoir-faire’”.</em></p> <p>Lyon está a reconverter um antigo hospital para abrir <a href="http://www.grandlyon.com/projets/cite-internationale-gastronomie.html">um mega-espaço dedicado à gastronomia internacional</a>. <em>“Vamos implantar esse espaço na parte histórica do antigo Hôtel Dieu, com uma área de exposição permanente e outra de exposições temporárias, subordinadas aos temas da gastronomia e da saúde em geral. Irá haver demonstrações, degustações, noites temáticas. Ao todo, estamos a falar de 3600 m2. Será um espaço lúdico, pedagógico e de partilha”</em>, salienta o arquiteto, Albert Constantin.</p>