Última hora

Última hora

"Estão fartos desta escumalha... eu desembaraço-vos." As palavras do ministro

Em leitura:

"Estão fartos desta escumalha... eu desembaraço-vos." As palavras do ministro

"Estão fartos desta escumalha... eu desembaraço-vos." As palavras do ministro
Tamanho do texto Aa Aa

do interior francês Nicolas Sarkozy, durante a visita a um bairro problemático, ilustram a sua política de tolerância zero contra a violência.

Palavras incendiárias que dois dias depois inflamaram ainda mais a violência, durante os confrontos em Clichy-sous-Bois, no arredores de Paris. Na origem da revolta estão as circunstâncias imprecisas da morte de dois adolescentes, electrocutados quando tentavam esconder-se da polícia num posto de transformação de electricidade. Os responsáveis da polícia negaram os factos e a violência eclodiu. Os primeiros alvos são os bombeiros, o posto dos correios e a câmara de Clichy-sur-Bois, símbolos do Estado. Em Paris, o método duro de Sarkozy foi criticado pelo ministro da igualdade de oportunidades Azouz Begag, uma personalidade próxima de villepin, e também morador num dos chamados bairros problemáticos. Os tumultos revelam o ambiente de risco nos arredores das grandes cidades francesas. Bairros onde vivem muitos desempregados e emigrantes. Locais onde anualmente a revolta é medida em carros queimados. No ano passado verificaram-se quase dois mil e quinhentos. “O facto é que eles queimam carros de pessoas que não têm culpa alguma, e isso magoa-nos. Gostaríamos que os jovens parassem e que protestassem de outra maneira”, refere uma habitante de um bairro problemático. “O motivo é falta de trabalho ou de casa. Não têm muita mais coisas para fazer, infelizmente para eles”, conclui. O presidente da câmara de Clichy-sous-Bois crítica a inexistência de uma política global: “ É preciso que a sociedade francesa se torne menos hipócrita. Que tenha mais atenção nestas zonas de grande dificuldade social, económica e cultural de forma a acabar com a pólvora.” Apesar de todas as propostas do ministro do interior para reforçar a segurança nestas zonas, o caso de Clichy-sous-Bois relança o debate em torno da necessidade de existir uma política mas preventiva e menos repressiva.