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Jovens dos subúrbios de Paris desafiam Nicolas Sarkozy

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Jovens dos subúrbios de Paris desafiam Nicolas Sarkozy

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Pela sétima noite consecutiva, jovens dos bairros periféricos de Paris desafiaram as forças da ordem e o Estado francês, semeando a violência nas ruas, numa escalada que parece imparável.

Esta noite foram queimadas mais de cem viaturas, escolas, um concessionário automóvel, uma esquadra de polícia, autocarros e até veículos dos repórteres da televisão. Os acontecimentos mais graves ocorreram em Aulnay-sous-Bois. Pela primeira vez em sete noites, a polícia utilizou balas reais para dispersar os jovens, não há vítimas. O ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, deslocou-se durante a noite a Bobigny, para uma reunião com as forças da ordem. Desta vez o ministro não quis atrás de si as câmaras de televisão e não pronunciou uma só palavra. Após a intervenção de Jacques Chirac ao sexto dia de violência, o governo parece ter mudado de estratégia. A guerra interministerial deixou de ser do domínio público, e a palavra é agora da responsabilidade do primeiro-ministro. Mas não será isso que vai acalmar os jovens dos subúrbios das cidades francesas, como provam estas declarações: “É um provocador, Sarkozy é um provocador. Provocou todos os subúrbios, pensa que é esperto, mas não é esperto.” Sarkozy é o ministro que transformou um caso de polícia em assunto de Estado e que os jovens querem derrubar a todo o custo, mas que Dominique de Villepin insiste em manter na chefia das operações. “O governo garantirá a ordem pública com a firmeza necessária. E essa é a tarefa difícil de Nicolas Sarkozy”, afirmou Villepin no parlamento. Uma tarefa que o primeiro-ministro conhece bem, pois era dele a pasta do Interior antes de chegar à chefia do governo. Diversos analistas em França pensam que a violência não vai terminar enquanto Sarkozy não se demitir e há também quem pense que o ministro tropeçou nos subúrbios no caminho para a presidência.