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Só Arafat iludia as divisões no Fatah

Só Arafat iludia as divisões no Fatah
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Nos últimos anos a unidade do Fatah constituiu apenas uma fachada que mal disfarçava a crescente divisão interna. Agora, as Brigadas dos Mártires de al-Aqsa reclamam uma representação nas próxima eleições, marcadas para o dia 25 de Janeiro.

O movimento do Fatah foi criado em 1959, por Yasser Arafat, quando este se encontrava no Kuwait. O objectivo era comum a todos os palestinianos: lutar contra Israel e libertar os territórios ocupados da “entidade sionista”. Durante vários anos o Fatah consegue unificar todas as facções palestinianas em torno deste objectivo. Depois de uma prolongada luta, o processo de paz começa a ser implementado no âmbito dos acordos de Oslo e os dirigentes históricos do Fatah e da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) entram em Gaza, com Arafat na liderança. Atrás de si, Arafat leva todos os seus companheiros de exílio, a denominada “velha guarda”. O seu carisma e estatuto de chefe irredutível camuflaram as divisões que corroíam o movimento. Uma clivagem entre os caciques que regressaram aos territórios ocupados ao lado de Arafat e os jovens militantes, que levaram para as ruas a primeira intifada e reclamam agora uma parte do poder. Arafat morreu e Mahmoud Abbas tentou manter a mesma fórmula, mas as divisões cresceram e tornam-se cada vez maiores à medida que se aproximam as eleições. Ahmed Qorei, o primeiro-ministro, defendeu-se:“Enviei uma carta a reiterar a minha intenção de não concorrer. Por isso não submeti e depois retirei a minha candidatura. Também é estranho dizer que fiz objecções a uma determinada posição na lista. Qualquer declaração nesse sentido é vergonhoso e inaceitável.” Qorei era apontado como o líder natural do Fatah, mas o simbolismo de Marwan Barghoutti entre a nova geração levou a que este militante fosse colocado no topo da lista oficial. Mas Barghouti dificilmente será primeiro-ministro, pois encontra-se em Israel, condenado a prisão perpétua. No entanto, Barghouti deverá ser a única hipótese de vitória para o movimento que domina a Autoridade Palestiniana, apesar de sondagens mostrarem o Hamas a subir nas intenções de voto.