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Abdullah Gul: "Turquia está ao mesmo nível dos países europeus"

Abdullah Gul: "Turquia está ao mesmo nível dos países europeus"
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A Turquia continua a estar na agenda da política internacional. A EuroNews entrevistou o ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Abdullah Gul, em Istambul. Reunificação de Chipre, Liberdade de expressão e gripe das aves foram alguns dos temas abordados.

EuroNews: A sua última proposta para abrir os portos e aeroportos turcos aos cipriotas gregos sem levantar as restrições nos portos e aeroportos cipriotas turcos não impressionou os cipriotas gregos. Não está a pedir um reconhecimento político de facto do Chipre turco?

Abdullah Gul: Sabe, para o reconhecimento político houve uma boa oportunidade no ano passado – o Plano Annan. Era uma solução política compreensiva, mas infelizmente essa grande oportunidade foi desperdiçada devido à rejeição do lado cipriota grego. Por isso o problema está por resolver. A União Europeia e toda a gente sabe que um reconhecimento político fará parte de uma solução específica. Estamos a oferecer a abertura dos nossos portos e aeroportos e a remover todo o tipo de restrições. Em troca queremos que o lado cipriota grego também acabe com o embargo económico imposto ao lado turco.

EN: Ancara ainda acha justificável a presença militar no norte e porquê? Em que condições Ancara consideraria a retirada das tropas?

AG: No ano passado, quando o lado cipriota grego rejeitou o Plano Annan, paralisou a retirada das forças turcas. Elas são o garante da Turquia naquela região e já existe um acordo sobre isso, um acordo internacional. Infelizmente, ao rejeitarem o Plano Annan, no ano passado, os cipriotas gregos rejeitaram a retirada militar. Não somos os culpados.

EN: Está desapontado com a atitude da União Europeia em relação às questões cipriotas? Esperava mais?

AG: Se recordar, antes do referendo, a posição da União Europeia foi de ficar silenciosa durante o referendo sobre o Plano Annan de reunificação. A União prometeu que se o povo turco apoiasse a resolução, o isolamento económico acabaria. Os turcos apoiaram o Plano Annan e, no entanto, ainda estão a ser castigados com embargos económicos. A União Europeia não cumpriu as promessas apesar da Comissão ter preparado duas regulamentações. Infelizmente, o lado grego está a bloquear. E isso também é contra a União Europeia.

EN: As queixas crime contra o escritor turco Orhan Pamuk, por falar do massacre de Arménios na Turquia, foram retiradas. Será que o governo turco vai mudar a sua posição no que diz respeito ao debate arménio?

AG: Existe liberdade de expressão na Turquia. Ela não é castigada. Não se esqueça que começámos as negociações de adesão, por isso, segundo o critério político de Copenhaga, aumentámos os nossos níveis de democracia. Mudamos a constituição e muitas leis. A Turquia está ao mesmo nível que os países da União Europeia.

EN: Mas será que Ancara vai mudar a posição em relação ao debate arménio?

AG: Bom, o nosso primeiro-ministro enviou uma carta ao Presidente da Arménia. Esperemos que essa carta e propostas esteja a ser bem recebida.

EN: Muitas pessoas estão atentas à crise da gripe das aves. A Organização Mundial de Saúde está preocupada com um agravamento da situação na Turquia. Podem os turcos lidar sozinhos com o problema? Não o preocupa o facto da situação poder ficar fora de controlo?

AG: Nós partilhámos todos os documentos e todos os factos com as organizações e empresas internacionais. Isto significa que não estamos a esconder nada, mas infelizmente não é apenas na Turquia e em quase todo o lado os países não partilham e divulgam. Nós actuámos a tempo, está controlado. Felizmente, não se espalhou a todo o país.