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Um diálogo de surdos decorre em torno do Contrato Primeiro Emprego

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Um diálogo de surdos decorre em torno do Contrato Primeiro Emprego

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Depois de dois meses de protestos, os sindicatos e os estudantes não obtiveram do governo a retirada do diploma, a principal exigência feita. Denunciam a inflexibilidade de Dominique de Villepin para renunciar ao CPE, o seu cavalo de batalha na luta contra o desemprego, e por isso responsabilizam o primeiro-ministro pelo fracasso das negociações dos últimos dias.

De acordo com as sondagens, 59 por cento dos franceses partilham desta opinião, acusam o governo de bloquear as negociações, enquanto 26 por cento culpa os sindicatos e os estudantes. No entanto 50 por cento acredita, tal como Villepin, que o CPE pode ser mantido se for alvo de alterações, 48 por cento dos jovens com menos de 26 anos partilham dessa opinião. A pressão levou Villepin a disponibilizar-se para discutir os pontos do CPE na origem de toda a contestação, em particular os dois anos de período de teste durante os quais os jovens podem ser despedidos sem justa causa. Mas o primeiro-ministro deixa bem claro que de forma alguma o projecto vai ser posto de lado. Apesar destes esforços anunciados pelo governo para baixar uma das taxas de desemprego entre os jovens mais elevadas da Europa, os parceiros sociais acusam o executivo de não os ter consultado antes de adoptar a medida. Por um lado o governo prega a favor da flexibilidade laboral, por outro os sindicatos e os estudantes gritam contra o que chamam de precaridade de um contrato que facilita o despedimento. Depois de semanas de manifestações e bloqueios de universidades os estudantes, alguns, começam a recear o seu futuro académico. Os exames aproximam-se, há vozes que começam a levantar-se a favor do regresso às aulas, porque nas manifestações não se aprende a matéria toda.