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Recep Tayyip Erdogan está pronto para se lançar na arena europeia

Recep Tayyip Erdogan está pronto para se lançar na arena europeia
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O primeiro-ministro turco esteve na passada quarta-feira em Estrasburgo, para uma operação de charme perante a Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa.

Escutadas as palavras de Erdogan na sua língua materna, no dia seguinte, Bruxelas não excluía a hipótese de suspender as negociações da adesão turca à União se Ankara não oferecer uma solução à questão cipriota.

Antes do novo cenário, ou seja, antes do ultimato europeu, a Euronews pode recolher em exclusivo o ponto de vista de Recep Tayyip Erdogan sobre o imbróglio cipriota e sobre as ideias do primeiro-ministro para a saída de um impasse que continua a pesar na perspectiva europeia sobre a Turquia.

Euronews: “A Turquia assinou um protocolo que apesar de extensível aos novos membros da União Europeia, excluí o Chipre. Porque é que a Turquia não abre os portos e aeroportos ao tráfego do Chipre?”

Recep Tayyit Erdogan: “Até agora a Turquia decretou a união aduaneira e é o único país que não sendo um membro da União Europeia aceitou este acordo, mas que nunca o utilizou contra o processo de adesão.
Por exemplo, o Chipre do Sul disse não ao plano de Annan mas depois de 1 de Maio de 2004, quando se tornou um membro da União, a Turquia podia ter utilizado o direito de veto em relação ao espaço da união aduaneira, mas não o fez. E Porquê não? Porque seria éticamente errado.
Agora, em relação ao protocolo, defendemos que o Norte do Chipre saia do isolamento, e então faremos tudo o que estiver por fazer.
Porque até agora, aceitámos todas as condições adiccionais impostas pelo protocolo, mas o feed-back não foi tão positivo quanto o nosso empenho.
E não é possível continuarmos empenhados perante este cenário. Queremos que os dois lados ganhem; queremos que eles ganhem e queremos que o Chipre do Norte ganhe. É impossível conceber uma vitória de um lado e uma derrota do outro nesta situação.
Eu pergunto ao mundo, afinal que culpa têm os cipriotas do norte para enfrentar tamanha política de isolamento? Será o norte do chipre uma nação terrorista? Uma nação de drogas com ligações à mafia? Porquê o isolamento? Se ninguém apoia o Chipre do Norte, a Turquia apoia. Assim, se o isolamento continuar, não faz sentido concretizar o protocolo.”

EN: “Disse que estava pronto para parar as negociações com a União Europeia se o isolamento económico aos cipriotas turcos continuasse. Algum dos líderes europeus respondeu à sua declaração?”

R. T. E.: “Não, esse é o tipo de respostas que nos chegam de outras fontes. Eles disseram que as negociações seriam suspensas, não fomos nós a afirmá-lo. No entanto, se querem suspender as negociações, que o façam. Mas não somos nós a querer fazê-lo.
As negociações são uma coisa, o caso do chipre é outra. Colocar o Chipre no mesmo saco que o nosso processo de adesão é eticamente errado.
Nos capítulos, não existe nada acerca do Chipre. Se somos deparados com esta questão uma e outra vez e se, na altura, eles utilizarem a questão como um obstáculo para a nossa ascensão na União Europeia é claro que o podem fazer, mas não irão mudar as nossas ideias, estamos determinados a continuar.”

EN: “Se a relação com os gregos cipriotas parece um pouco tensa, a relação com a Grécia parece ter melhorado muito. Puderá este cenário ajudar a resolver a questão?”

R. T. E.: “Não é tensa, não há qualquer tensão da nossa parte. A outra parte é que está a criar tensão. Eu e o Sr Papadopoulos encontramo-nos em eventos internacionais com alguma regulariedade e ele pergunta-me quando pudemos ir tomar um café, eu respondo-lhe, que não há qualquer problema em tomarmos café, pudemos ir já, mas se o objectivo for discutir alguma coisa, eu digo-lhe que o hómologo, com quem tem de falar, é Mehmet Ali Talat, o presidente do chipre do norte.
Nós, Turquia, somos os avalistas, enquanto o meu amigo Costas Karamanlis é o representante da Grécia, avalista de um outro país.
Deveríamos sentar-nos todos juntos, os quatro, discutir a questão juntos e resolver o problema também juntos, porque não nos olhamos como inimigos. Nós não queremos fazer inimigos, nós queremos fazer amigos.”

EN: “Está então a propôr uma mesa redonda. A Turquia está pronta para acolher essa mesa redonda?”

R. T. E.: “Sim, pudemos ser os anfitriões. O meu amigo Karamanlis se quiser pode ser o anfitrião. O Presidente da União Europeia pode fazê-lo, mas o mais importante é que isto fique esclarecido, mas é na plataforma das Nações Unidas que o caso deve ficar resolvido, porque a solução não está nas mãos da União Europeia, a solução está nas nações unidas.
Mas para que essa reunião aconteça é claro que Costas Karamanlis pode acolhê-la, ou nós, o local é irrelevante, o importante é fazê-la juntos e falar. Falaremos uma, duas, três vezes, falaremos e falaremos, mas teremos de chegar a uma plataforma de entendimento. Quero chegar a essa mesa redonda com a hipótese concreta de resolver o problema, com a intenção de o resolver e os outros também devem encarar a discussão como um caminho para a solução.
Se estivermos preparados para esse objectivo, será mais fácil de resolvê-lo. Se decidirmos não o fazer, então o problema vai continuar.”

EN: “Mas até esse momento, vai continuar com os portos e os aeroportos fechados aos cipriotas?”

R. T. E.: “Sim. Definitivamente sim para os cipriotas do sul, não para os cipriotas do norte. Os nossos portos e aeroportos estão abertos para o norte do Chipre.