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O percurso de combate dos sindicatos

O percurso de combate dos sindicatos
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É difícil precisar a data de criação dos sindicatos, mas ela está ligada à revolução industrial, quando a questão dos trabalhadores se impôs na sociedade. Seguiu-se o período de expansão do sindicalismo até aos anos 70 e 80, que foram um ponto de viragem e o início de dificuldades para os sindicatos.

A conjuntura económica muda de direcção trazendo o encerramento de fábricas, despedimentos, desemprego. Os sindicatos saem à rua, mas não conseguem defender os direitos dos trabalhadores.

Uma nova ordem mundial começa então a surgir e em 1994 é criada a Organização Mundial do Comércio. O movimento sindical aprova por maioria a nova instituição, pensando que a liberalização do comércio iria favorecer o crescimento económico, o emprego e as condições laborais.

Os anos seguem-se e o neoliberalismo impõe-se com deslocalizações, despedimentos e novas dificuldades para os assalariados. Os sindicatos descobrem que a mundialização e a liberalização não têm em conta as pessoas e os aspectos sociais.

Os números falam por si. Dos seis mil milhões de habitantes no mundo, 2,8 mil milhões vivem com menos de dois dólares por dia. A média das receitas dos 20 países mais ricos é 37 vezes superior às receitas dos 20 Estados mais pobres. O valor bolsista das dez maiores multinacionais ultrapassa o PIB de 150 dos 189 países da ONU. Por fim, a dívida externa de África absorve o dobro do orçamento do continente para a saúde.

As desigualdades acumularam-se e, perante este cenário, os sindicatos sentem-se incapazes de impor as suas reivindicações, entretanto, retomadas pelo novo movimento criado nos anos oitenta mas que ganha visibilidade em Seatle, em 1999: o movimento altermundialista.

Em 2001, em Porto Alegre, o Fórum Social Mundial é o culminar de um percurso que visa contrabalançar o poder do Fórum Económico de Davos. Os sindicatos estão representados mas menos do que os altermundialistas. No ano passado, no quinto Fórum Social, os sindicatos anunciaram a criação da nova confederação internacional, com o objectivo de provar que também o movimento sindical pode avançar, ter um futuro e enfrentar os desafios actuais.