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Sicília diz "basta" ao "pizzo"

Sicília diz "basta" ao "pizzo"
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Não ao “pizzo”. Num gesto inédito, a Confederação da Indústria da Sicília decide que, no futuro, os membros que continuarem a pagar o imposto exigido pela máfia serão expulsos da organização. É a resposta dos patrões sicilianos ao aumento das pressões das organizações criminosas sobre industriais e comerciantes.

Numa assembleia extraordinária, este fim-de-semana em Caltanissetta, a Confederação disse basta ao imposto mafioso. Como explica o presidente da organização “será impossível estar na Confindustria e ter relações com os criminosos”.

A revolta contra a máfia surge depois da carta escrita ao Presidente da República pelo presidente da Associação dos Empresários da Construção da Catania em que Antonio Vecchio diz que “é impossível continuar a viver assim” e que mais dos que os empresários “é o Estado que está a ser atacado” pela máfia. Vecchio recebeu 4 ameaças de morte em 4 dias e viu a sua empresa vandalizada por duas vezes porque não pagou o “pizzo”.

Os empresários vivem permanentemente com “medo”, afirma o presidente da Câmara de Comércio de Caltanisseta, Marco Venturi, cuja casa foi baleada. A título de “protecção”, a máfia exige um imposto que pode chegar a quase 600 euros mensais para o comércio, restauração e hotelaria e 2 a 4% do valor de cada obra em curso. As sociedades de construção e de conservação de estradas são pressionadas para pagarem 17 mil euros por estaleiro.

Desde 2004 que existe a associação anti máfia “addiopizzo”, porque, como se lê nas ruas de toda a Sicília: “um povo que paga o pizzo é um povo sem dignidade”.