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Kosovo vai a votos em momento de grande tensão

Kosovo vai a votos em momento de grande tensão
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As ruas de Pristina foram invadidas por cartazes eleitorais. Os kosovares vão às urnas este sábado, num ambiente tenso e na expectativa de uma
independência que lhes foi prometida, isto num momento em que as negociações sobre o estatuto final da província, que deverão terminar no dia 10 de Dezembro, se encontram num total impasse. 26 partidos disputam os assentos do parlamento, os cargos de vereadores e de presidentes de câmara e de junta nestas eleições municipais e legislativas complexas, que vão ser boicotadas pelos sérvios a pedido de Belgrado.

Isto significa que os 20 assentos do parlamento teoricamente destinados ao sérvios deverão ficar vazios. Como em todas as legislativas, os eleitores vão eleger um primeiro-ministro e na corrida pelo cargo está o ex-guerrilheiro do UCK Hashim Thaci, que é dado como favorito.

Thaci é candidato do PDK e prometeu declarar unilateralmente a independência do Kosovo caso não haja acordo até ao dia 10 sobre o estatuto da província. “Assumo o compromisso de começar a construir a independência para atrair os investidores
ocidentais que nos ajudarão a ter uma economia que nos dê um melhor nível de vida. A representação do Kosovo nos organismos internacionais vai acontecer a pouco e pouco.”

O principal adversário do PDK de Thaci é o LDK, partido que ainda está de luto e que não conseguiu reconstruir-se depois da morte do seu carismático fundador, o ex-presidente Ibrahim Rugova.

O LDK, ou Liga Democrática do Kosovo, que dirige a província desde 99, quando se realizaram as primeiras eleições após o conflito, continua a gritar nos comícios o nome do seu chefe, morto em 2006, e não tem nenhuma personalidade de peso nas suas fileiras para se opor a Thaci.

Neste duelo de grandes, vem intrometer-se de forma inesperada Behgjet Pacolli, na terceira posição das sondagens. Este magnata que vive mais na Suíça do que no Kosovo fez fortuna na construção civil e promete liderar a província como uma grande empresa que necessita de todo o tipo de reformas. “Não vim para a política para estar sentado num cadeirão. Não preciso disso e se quisesse já tinha muitos no mundo inteiro.”

Seja qual for o resultado do escrutínio, os habitantes de Mitrovica, a cidade dividida e até há data símbolo da impossibilidade de reconciliação entre sérvios e albaneses, têm poucas razões para acreditar numa acalmia da situação. Se os líderes albaneses declararem unilateralmente a independência, os 40 mil sérvios da província poderão votar a secessão da sua porção de território, o que voltaria a mergulhar a região num conflito armado.