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Delegação do PE em Chipre para desbloquear a situação

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Consciente de que o momento actual é decisivo, para o futuro de Chipre, um grupo de eurodeputados deslocou-se, pela sexta vez, a Nicósia. Na capital cipriota, os sete eurodeputados percorreram a rua Ledra, onde um ponto de passagem entre a parte Norte e a parte Sul foi aberto em Abril, depois de décadas de divisão.

O grupo de alto nível do Parlamento Europeu (PE), que reúne membros de todas as bancadas políticas do hemiciclo, tem na agenda encontros com representantes da parte grega e da parte turca.

Mas os deputados europeus sabem que o futuro da ilha não depende apenas das autoridades locais, como afirma a presidente do grupo, a conservadora francesa Françoise Grossetête: “É prioritariamente a Turquia – que impõe o seu exército no Norte da ilha – e o primeiro-ministro Erdogan que detêm a chave da solução do problema. E, para isso, é preciso que a União Europeia seja também coerente na sua vontade de passar a boa mensagem junto da Turquia.”

Mehet Ali Talat dirige o terço Norte da ilha, invadida pelo exército turco em 1974. Desde então, inúmeros turcos vindos, sobretudo, da Anatólia Central, instalaram-se na zona. Para o negociador cipriota turco, Özdil Nami, não se trata de colonos, portanto, nem pensar em obrigá-los a sair do território: “Não há nenhum precedente internacional onde uma prática destas tenha sido imposta, onde as pessoas tenham sido obrigadas a deixar as suas casas e a imigrar para um país que nunca na vida visitaram, porque os avós chegaram aqui nos anos 70.”

Depois de 1974, os turcos passaram a ocupar as casas dos cipriotas gregos, expulsos do Norte da ilha. As autoridades cipriotas gregas estimam entre 120 mil e 160 mil, os imigrantes ou colonos turcos; os cipriotas turcos garantem que eles não ultrapassam os 35 mil.

Recuperar as propriedades é uma condição ‘sine qua non’ para os cipriotas gregos, cujo negociador, George Iacouvou, está consciente das dificuldades: “Deram-lhes os terrenos dos cipriotas gregos e quantos mais colonos há, mais cara se torna a solução e, portanto, praticamente impossível. Por isso, a única forma de baixar o custo da solução é que um grande número de colonos regresse à Turquia.”

Indemnizações a quem parte e restituição de casas a quem regressa é mais do que uma questão de dinheiro. É uma caixa de Pandora, tanto mais que a imigração continua a chegar e incomoda mesmo os cipriotas-turcos. “A imigração é um problema que não pára, porque as portas estão abertas”, diz um cipriota turco. “Imigração vinda de onde?” – A resposta não se faz esperar: “São os turcos que vêm para Chipre.”

A Turquia, que mantém 30 mil militares no Norte da ilha, é um actor incontornável nas negociações. Mas a socialista alemã Mechtild Rothe tem esperança que Ancara acabe por ser confrontada com um facto consumado: “É claro que Ancara tem de dar luz verde definitiva. Isso é óbvio. Mas será difícil para o governo turco reagir de forma negativa se os cipriotas gregos e os cipriotas turcos decidirem conjuntamente progredir nas negociações.”

A divisão da ilha e as consequentes más relações entre Chipre, membro da União, e a candidata Turquia, não têm facilitado as negociações de adesão de Ancara. E para a ilha, o tempo urge. Sobretudo depois de o plano da ONU para a reunificação ter sido rejeitado em 2004, em referendo, pelos cipriotas gregos.