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Justiça turca acusa antigos militares de tentativa de golpe de Estado

Justiça turca acusa antigos militares de tentativa de golpe de Estado
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O procurador de Istambul acusou 86 pessoas, entre as quais vários militares na reserva, de pertencerem a uma rede clandestina que estaria a preparar um golpe de Estado no país. Num relatório de mais de 2 mil páginas, que deverá ser submetido aos tribunais, o magistrado responsabiliza os suspeitos de vários ataques armados nos últimos meses.

Segundo o procurador, “no total são 86 pessoas alegadamente envolvidas na rede clandestina, 48 das quais estão em prisão preventiva, sobre as quais pesam as acusações de formar e dirigir um grupo terrorista armado, de associação terrorista, de participação em atentados e tentativa de derrubar o governo pela força”.

A detenção de dois generais na reserva, assim como de jornalistas e homens de negócios, no quadro da investigação, tinha suscitado várias manifestações dos sectores pró-laicos.

O processo judicial é visto como mais um capítulo no braço-de-ferro entre o partido islamita moderado, no poder, AKP, e os militares, que no país são o baluarte da laicidade do Estado.

Juristas próximos do exército apresentaram há semanas ao Tribunal Constitucional um pedido para banir o partido governamental.

As leis propostas pelo AKP, no que toca ao porte do véu nos locais públicos, ou à proibição de venda de bebidas alcoólicas, são vistas pelos sectores laicos como uma tentativa de “islamizar” o país.