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Um precedente chamado Kosovo

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A independência do Kosovo funcionou como o rastilho que incendiou o Cáucaso. Foi a 17 de Fevereiro último que os kosovares declararam a sua independência face à Sérvia – uma independência rapidamente reconhecida por inúmeros países ocidentais mas que nunca foi aceite pela Rússia.

Quatro dias após a independência, numa reunião da Comunidade de Estados Independentes, em presença dos presidentes ucraniano e georgiano, assim falava Vladimir Putin: “A independência do Kosovo abre um precedente que terá graves repercussões e cria uma brecha no sistema das relações internacionais, formado, não há uma década, mas há um século. E este precedente poderá provocar uma cadeia de consequências imprevisíveis. Os responsáveis pela independência do Kosovo calculam mal as consequências deste acto: ele vai fazer ricochete e atingi-los plenamente.”

O ricochete chegou, passados seis meses, com o reconhecimento da Abecásia e da Ossétia do Sul, por Moscovo, que até pisca o olho à moldava Transnístria. Discretamente, esta segunda-feira, Dimitri Medvedev recebeu o presidente moldavo, Vladimir Voronin. A Transnístria autoproclamou-se independente da Moldávia em 1991. Embora a Rússia não a reconheça, serve-se do território como zona tampão entre a Moldávia a Ucrânia e aí estaciona forças militares.

O aviso velado de Medvedev ao presidente moldavo – para que não tente imitar a Geórgia – serve também para a vizinha Ucrânia. Kiev, tal como Tbilissi, tem pressa em aderir à NATO – o que Moscovo não vê de todo com bons olhos. É verdade que as esperanças dos dois antigos satélites de Moscovo sofreram um balde de água fria, na cimeira da Aliança Atlântica, e tanto a Geórgia como a Ucrânia devem esperar para entrar no clube.

Mas a Rússia suspendeu, também esta terça-feira, parte da cooperação com a NATO, a qual condenou firmemente o reconhecimento por parte de Moscovo das duas repúblicas separatistas georgianas.