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Argélia em tempo de balanço

 Argélia em tempo de balanço
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Depois de nove anos no poder, o presidente argelino, Abdelaziz Bouteflika, tem, pelo menos, o mérito de ter estabilizado uma sociedade traumatizada pela violência sangrenta da década de 90. Também a ele se deve o fim do isolamento em que vivia a Argélia.

Em Abril de 99, este veterano da luta pela independência obteve 73,79% dos votos nas eleições presidenciais. Mesmo antes de conhecer o resultado, Bouteflika marcava o terreno:

“Quero que o povo argelino se pronuncie com grande clareza por uma maioria substancial que nos permita executar as necessárias mudanças. “

Em 2005, depois da renovação do mandato, Bouteflika submeteu a referendo a Carta para a Paz e Reconciliação, que contempla a amnistia para os islamitas renunciarem às armas, sem delitos de sangue. A maioria dos argelinos apoiam.

“Trata-se de virar a página, porque temos atravessado períodos muito dolorosos. Não vejo como estar contra. “

13 anos de guerra civil não declarada, entre islamistas e Exército, deixaram 150 mil mortos e vários milhares de desaparecidos às mãos das forças governamentais.

E apesar da situação ter melhorado, a paz continua a ser uma ilusão na Argélia. Os atentados são frequentes, apesar de já não serem reivindicados pelo GIA. São ataques suicidas cometidos pela Al Qaeda e o Maghreb Islámico, que antes se chamava grupo salafista da oração e combate.

No plano económico, o mandato de Bouteflika também suscita dúvidas. Rica em petróleo e gás, a Argélia, com mais de 33 milhões de habitantes, é a terceira potência económica de África.

Mas a maioria dos jovens vive a incerteza do futuro e a quase certeza do desemprego. A penúria na habitação e a pobreza são fonte de conflitos sociais.

Além do mais, a economia continua a depender dos hidocarbonetos e o Estado monopoliza o desenvolvimento económico. Uma política que dificilmente mudará se o presidente Bouteflika decidir apresentar-se a um terceiro mandato.