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França e Alemanha reticentes quanto a plano europeu de incentivo à economia

França e Alemanha reticentes quanto a plano europeu de incentivo à economia
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Nem tudo corre sobre rodas para o plano de relançamento da economia que a Comissão Europeia vai desvendar na quarta-feira. Ao contrário do Reino Unido, França e Alemanha exprimiram reservas quanto à possibilidade de generalizar aos 27, medidas como a redução do imposto sobre o valor acrescentado. Mesmo face à recessão que atinge a zona euro, Berlim não quer contribuir para o plano de 130 mil milhões de euros, com que Bruxelas pretende relançar o consumo e restaurar a confiança dos investidores.

Reunido com a sua homóloga alemã Angela Merkel, em Paris, o presidente Nicolas Sarkozy afirmou: “Estamos de acordo para lançarmos uma acção concertada e para discutirmos outras medidas. A França já se lançou ao trabalho, a Alemanha está ainda a reflectir. Sobre a proposta de uma redução generalizada do imposto sobre o valor acrescentado, a França partilha a análise da Alemanha de que esta decisão pode servir para certos países, por exemplo para o Reino Unido, mas relativamente à nossa situação, tenho dúvidas quanto à necessidade de baixar o IVA quando constatamos uma descida dos preços”. Os dois países querem um plano adaptado a cada caso nacional, tendo evidenciado a situação da indústria automóvel, que emprega mais de 10% da mão-de-obra nos dois países. Merkel sublinhou, antes de mais, que não defende “uma intervenção dispendiosa”: “Vemos as medidas adoptadas pelos Estados Unidos para apoiar a industria automóvel no país. E se a Europa quer competir nesta área tem de apostar na inovação, em carros menos poluentes e é esse o caminho a seguir para sair da crise”. Ao evocar ecologia e inovação, Berlim consegue uma saída airosa face ao dilema de voltar a desatar os cordões à bolsa, depois de ter já desbloqueado 32 mil milhões de euros para impulsionar a indústria nacional. Mas a situação continua a agravar-se. A maior economia da União entrou em recessão técnica podendo perder mais 130 mil empregos no próximo ano. O índice de confiança dos empresários germânicos caiu para o nível mais baixo dos últimos 15 anos.