Última hora

Última hora

Festival transbalcânico em Bruxelas

Festival transbalcânico em Bruxelas
Tamanho do texto Aa Aa

Bruxelas recebeu uma das mais importantes embaixadas culturais dos Balcãs. Foram três dias de contacto com a música e a dança tradicionais, com o cinema, com a arte nova.

A música urbana teve lugar de destaque. Desfilaram bandas que misturam o rock com o folk. Vieram da Sérvia, Macedónia, Bósnia, Croácia e Eslovénia. E o jazz do sudeste da Europa. “Neste projecto transbalcânico – explica um organizador – temos o estilo sérvio das fanfarras, temos também o estilo da Bósnia. Temos o jazz da Croácia, foi uma estreia para o festival ter croatas e assim a transbalcânica é uma verdadeira mistura de riquezas, é o simbolo dos patchwork dos Balcãs”. A Grécia é a cadência do sul da península dos Balcãs. Trouxe a Bruxelas o que tem de mais tradicional, o rembetiko, mistura étnica que teve origem no príncípio do SEC XX. Era a música dos deserdados da sorte que nela colocavam esperanças, desesperos e outros estados de alma. O nome maior do rembetiko é Kostas Kalafatis: “Foi quase em condições de marginalidade social, condições sociais muito similares que se crearam os blues nos Estados Unidos. A única diferença é que nos Estados Unidos tinhamos os escravos negros e aqui temos os movimentos violentos de refugiados, depois da guerra de 1922, com os turcos, quando um milhão de pessoas foram violentadas, deslocando-se de Istambul e de Izmir, para a Grécia”. NIcolas Wieers realça a diversidade étnica e o papel das minorias: “Queriamos recordar duas coisas, em particular: as minorias que existem nos Balcãs – minoria cigana e também a minoria judia, kletzmer, muito presentes, nos Balcãs. Ora aqui está uma bela promoção desta cultura, e trouxemos os melhores, que são “os Kletzmatics” que representam o que de melhor se faz, na música kletzmer” “Os Kletzmatics” são um grupo de fusão de Nova York, liderado pelo soprista Frank London: “Nesta música, nós tocamos Yiddish, o idioma Yiddish, vindo com os judeus do leste europeu, incluindo de muitas regiões dos Balcãs que foram a Eslávia e outros territórios. Somos aquilo que se chama etno-música”. Matt Darriau, outro instrumentista, recorda coma música judeu foi absorvendo os instrumentos: “Quando os músicos kletzmer chegaram à Roménia, vindos do leste europeu, não vieram com o Hammer Dulcimer, um instrumento com semelhanças com o vibrafone, nem com o clarinete, nem com o violino. Traziam apenas tubadoras e, nos anos 20, já havia tubadoras no jazz., mas não se fazia um jazz autêntico. Eles usaram esse tipo de influências, usaram as tubadoras, o piano. Estavamos em 1920, 1930, em Nova York, tocavam a nova música, nesse tempo. Nós tocamos a nova música, do nosso tempo, e somos de facto tradicionais. Somos mais tradicionais e tentamos fazer um som parecido com o dos anos 20”.