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A filosofia do Taekwondo

A filosofia do Taekwondo
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O Taekwondo é a arte marcial de excelência na Coreia do Sul. A forma mais simples de traduzir estes três caracteres é: pé, punho e caminho, ou seja a forma de utilizar os pés e os punhos. Mas, por detrás da arte marcial, esconde-se muito mais que uma simples técnica de combate, explica o Mestre Pang Hyun Kang:

“Tae significa pé, Kwon significa punho, e Do fala de um caminho, uma forma de vida. Ao utilizarmos os punhos e os pés, podemos treinar tanto o espírito como o corpo. E com isso, aprendemos a ser seres humanos autênticos.” “Há muitas respostas para a pergunta “qual é a filosofia do Taekowndo?”. Trata-se de educação, cooperação, paciência, de superarmo-nos a nós próprios. Mas acima de tudo, ensina-nos a ter auto-confiança.” As técnicas que deram origem ao Taekwondo são milenares, mas a arte marcial foi fundada oficialmente em 1957. Os alunos e mestres demonstram o seu nível através dos cintos, que vão do branco ao negro, o mais elevado. Neste nível há 10 dan, ou seja categorias. Para ascender ao escalão máximo, os alunos devem demostrar técnica, mas também o respeito pelo espírito desta arte marcial. Grande parte dos coreanos praticam Taekwondo. Geralmente, começam aos 7 ou 8 anos, nos Dojans. As raparigas que praticam esta arte marcial seguem os mesmos métodos e têm aulas com os rapazes. Treinam juntos e aprendem as técnicas e conceitos espirituais básicos, através de sistemas de ensino adaptados à sua idade. “É mais difícil ensinar as crianças que outro tipo de alunos como adultos ou adolescentes. Mas as crianças são puras. Estão vazias e assimilam melhor as coisas. Têm um potencial ilimitado”, explica o mestre Yoo Pyeong Hee. O Taekwondo está entranhado na cultura coreana. Não só como forma de auto-defesa, mas também como um método para desenvolver o corpo e a mente. Várias universidades incluem o Taekwondo nos seus programas e oferecem estudos nesta área, sem nunca esquecer a utilidade da arte marcial na vida diária dos estudantes. O director do departamento de Taekwondo da Universidade de Jeounju, Choi Kwan Geun. “Os alunos aprendem a importância da solidariedade entre eles. Por exemplo, estudantes que vêm de outros cursos, podem ganhar mais confiança e expressar-se melhor nas aulas”. Setenta milhões de pessoas praticam Taekwondo em 190 países. As cidades sul coreanas de Jeonju e Muju acolheram este ano a terceira edição da Exposição Mundial sobre a Cultura do Taekwondo. O evento teve a participação de mais de mil pessoas vindas de 42 países. “Aprendemos uma cultura, uma língua e ao mesmo tempo fazemos desporto. Trabalhamos a flexibilidade, a resistência… O Taekwondo é um desporto muito completo”, diz Daniel Formichi, um dos participantes franceses. Andrew Leonard, participante norte-americano: “A nível mental, ajuda a concentrar-me e fisicamente tornou-me mais forte e rápido.” O Taekwondo ganhou popularidade pelo mundo inteiro há vinte anos, depois da aparição nos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988. Com este rápido desenvolvimento desportivo, alguns mestres mais puristas temem que a arte marcial esteja a perder o valor tradicional. O Grande Mestre Lee Hyeon Kon, nascido na Coreia, mas naturalizado norte-americano têm um ponto de vista equilibrado e optimista. “É um problema de crescimento. O Taekwondo está crescer demasiado rápido e estamos a perder algumas coisas neste momento. Mas creio que, daqui a algum tempo, as pessoas vão perceber que estamos a perder algo valioso, e vão querer recuperá-lo.” O Taekwondo luta para manter os valores originais, mas não descura a evolução. Exemplo disso é o Taekwonmu, que mistura a arte marcial com música para tornar a aprendizagem mais eficaz, mantendo o espírito inicial da modalidade.