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Parceria estratégica através do Rio Oder - Alemanha e Polónia dão exemplo de cooperação

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Parceria estratégica através do Rio Oder - Alemanha e Polónia dão exemplo de cooperação

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São seis e um quarto da manhã. Bogdan Kazimirek está na estação de comboios de Berlim e tem um bilhete para viajar no EuroCity com destino à cidade polaca de Poznan, a sessenta quilómetros da fronteira. A sua viagem deve-se a uma união especial: as regiões fronteiriças entre a Alemanha e a Polónia decidiram ligar as suas economias e administrações, chamando ao processo “Oderpartnership”.

O jovem Bodgan é um exemplo dessa parceria. Fala as duas línguas e sente-se em casa nos dois lados. Bodgan é um estagiário no âmbito do programa “Oderpartnership Pro-Polska” e recebe treino na Alemanha e na Polónia: “O que é bom no Pro-Polska são os cinco meses de experiências professional. Lidamos com pessoas que vivem do outro lado da fronteira e fazemos amizades. Após o estágio, esses contactos serão úteis para encontrarmos um emprego. Mas saber falar línguas é crucial. Há muita gente na Polónia a falar alemão, mas é mais fácil se falarmos a sua língua”, afirma. Ao final da tarde, atravessámos o rio Oder em direcção à Polónia. Desde que o país aderiu ao espaço Shenghen que a fronteira está aberta. O símbolo da “Oderpartnership” que une 21 milhões de pessoas é a união num abraço das bandeiras nacionais alemã e polaca. O Produto Interno Bruto da região parte do programa ronda os 300 milhões de euros por ano. Bogdan está a estagiar no departamento de contabilidade de uma empresa alemã com uma delegação polaca na cidade de Poznan. O resto do estágio vai se feito no senado de Berlim. Hoje, vai para Poznan. Esta cidade polaca está a desenvolver-se muito rapidamente e quer mais laços com a Alemanha, já que quarenta por cento dos seus estudantes vêm de lá. Ambas as cidades produzem publicações bilingues destinadas à comunidade empresarial, principalmente de pequena e média dimensão. Os programas de apoio regionais, nacionais e europeus, assim como listas telefónicas, páginas na internet e contactos empresariais são informações preciosas para os empresários interessados em investir em ambos os lados da fronteira. A mais recente edição acabou de chegar da tipografia, mas Bogdan está permanentemente a actualizar a informação. A PSI Polónia é uma sucursal do Grupo PSI que desenvolve programas informáticos. O grupo decidiu globalizar o seu campo de acção e estabeleceu na Polónia a sucursal que ajudou a “salvar” a empresa. Hoje, emprega 1400 pessoas no mundo inteiro. Arkadiusz Niemira, director executivo da PSI Poland: afirma: “Para ser sincero, estamos perante uma situação em que todos ganham. A PSI beneficia de mão de obra relativamente mais barata e graças à sucursal podemos ser mais competitivos a nível global. Por outro lado, vendemos os nossos produtos na Polónia. Desde que criámos esta sucursal, o número de empregados que temos na Alemanha também aumentou”. Uma outra parceria “Oderpartnership” está a ser preparada. Chama-se “Finanças e Inovação” e dirige-se às PME’s que pretendem entrar no mercado global, através da criação de um fundo transnacional que lhes servirá de crédito. Alemães e polacos coordenam este projecto. No lado alemão, tudo acontece na Câmara Municipal de Berlim. De novo em Berlim, Bodgan entrega a publicação bilingue actualizada ao senador Harald Wolf. O senador está satisfeito: “O alargamento da União Europeia trouxe novas oportunidades económicas para esta região, para o desenvolvimento da cooperação, especialmente entre pequenas e médias empresas. Desta forma estamos a promover o crescimento e a criar mais postos de trabalho nos dois lados da fronteira”. O estágio de Bodgan leva-nos aos armazéns do Museu da Cidade de Berlim. Durante séculos houve uma intensa actividade comercial entre as várias cidades da região. No museu, painéis com 180 anos testemunham essa relação e mostram a rota percorrida pela empresa tabaqueira Ermeler durante o comércio com a Itália, França e Polónia. Dirigimo-nos para a sucursal alemã da Scandinavian Holz, empresa da Estónia que vende painéis de construção russos e brasileiros à Polónia. Durante um ano o Fundo Regional Europeu para o Desenvolvimento e a municipalidade de Berlim pagaram metade dos salários de Agnes e Agneta, ambas assistentes do departamento de marketing responsáveis por procurar fornecedores de madeira para os seus clientes polacos. Antes, o seu chefe tentou fazer o mesmo sozinho. Desistiu. Stanislaw Stroh, Director Executivo da Scandinavian Holz: “Estando sedeados em Berlim, torna-se muito mais fácil negociar com a Polónia. A distância entre nós e os clientes é muito menor e há muitos cidadãos polacos a viver em berlim. e entre eles podemos encontrar empregados qualificados”. O próximo destino do nosso estagiário é a Universidade Técnica de Berlim (UTB). Um em cada cinco estudantes aqui é estrangeiro. A maior parte vem da China, da Turquia e da Polónia. O presidente da universidade chegou mesmo a convidar os seus colegas polacos para uma parceria no âmbito da “Oderpartnership” par aprofundar os contactos. Lukasz Hady, um engenheiro com o duplo diploma germano-polaco, gosta da ideia e sublinha as vantagens de um diploma duplo germano-polaco: “Ainda não sei se trabalharei aqui ou na Polónia, mas há oportunidades nos dois lados da fronteira. Os métodos de trabalho diferem da Alemanha para a Polónia, a forma de abordagem científica é diferente. por isso é importante este duplo diploma e a experiência que adquirimos nos dois lados”. Adam Wolisz é mundialmente conhecido pela investigação que desenvolve no campo das telecomunicações. Trabalha em Berkley e em Berlim, aconselha o governo polaco e tem dupla nacionalidade – alemã e polaca. Esta parceria agrada-lhe bastante: “Creio que o intercâmbio de professores e a mobilidade dos alunos são muito importantes. Uma velha tradição medieval diz que anos passados a viajar é o mesmo que estudar. Devíamos fazer isso hoje em dia. Essa é a diferença entre estudar e ir à escola: formar alunos que escutam professores diferentes, com pontos de vista diferentes, dar-lhes a oportunidade de ouvir a pluralidade”.

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