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Liberdade de imprensa em destaque na entrega dos Prémios de Jornalismo da Fundação Anna Lindh

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Liberdade de imprensa em destaque na entrega dos Prémios de Jornalismo da Fundação Anna Lindh

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Para a quarta edição da entrega do prémio Euromediterrânico do Jornalismo, a Fundação Anna Lindh para o diálogo das culturas escolheu o Mónaco.

As autoridades monegascas aproveitaram para sublinhar a importância que atribuem à informação nos dias de hoje, tal como ficou expresso no discurso do príncipe Alberto: “Hoje, com a proliferação das tecnologias da informação e da comunicação, a omnipresença da internet, a multiplicação dos blogs e das redes sociais, a informação e o conhecimento tornaram-se, mais do que nunca, vectores determinantes da transformação social”. A Fundação Anna Lindh trabalha, desde a sua criação em 2005, para o diálogo intercultural e quer ser a locomotiva para a reaproximação das duas margens do Mediterrâneo, como explica o presidente André Azoulay: “A Fundação Anna Lindh é um roteiro que é, ao mesmo tempo, complexo, incerto e difícil. Incerto, complexo e difícil porque estamos na lógica e na perspectiva desta união para o Mediterrâneo que começa a desenhar-se”. Em colaboração com a Conferência permanente do Audiovisual mediterrânico, a Fundação Anna Lindh recompensa todos os anos pessoas e organismos que se distinguiram na promoção do diálogo na região euro-mediterrânica. No total, foram entregues seis prémios e uma menção especial com vista à criação da categoria “novos media”. A entrega dos prémios não é um feito inédito mas, actualmente, permite medir o estado da liberdade de expressão e de imprensa na zona euromediterrânica, sobretudo, na era das auto-estradas da informação. A liberdade de expressão é limitada em alguns países da margem Sul do Mediterrâneo, segundo Ithar al-Katatni, laureada com o Prémio Anna Lindh para a imprensa: “A liberdade de imprensa não é absoluta, há limites que não podemos ultrapassar. Mas estou optimista. O sindicato e os jornalistas pressionam e é difícil reduzir a liberdade porque existe a internet. Todos podem ter acesso à informação sem precisar de um meio de comunicação social”. A laureada israelita, Lisa Goldman, denuncia a pressão exercida pelo Tsahal sobre a imprensa estrangeira: “O ministro da Defesa impediu a imprensa estrangeira de entrar em Gaza durante a Operação “Chumbo Fundido” e isso foi um grave ataque à liberdade de imprensa em Israel. Infelizmente, a imprensa israelita não contestou a medida. A imprensa estrangeira contestou mas o Ministro da Defesa ignorou o Supremo Tribunal que disse que a imprensa estrangeira deveria ter autorização para entrar em Gaza. Os militares disseram não.” Apesar dos países europeus liderarem a lista da organização de Repórteres sem Fronteiras, a liberdade de imprensa sofreu um recuo no velho Continente. A França perdeu oito posições e desceu para o 43° posto, a Itália desceu cinco lugares e está no 49° e a Eslováquia perdeu 37 lugares passando para o 44° posto. Portugal passou do 16° para 30° lugar. O director da Eurovisão, Jean Réveillon, aponta o dedo às estruturas de financiamento dos media públicos: “A Europa não é um exemplo em todas as suas componentes. Na Eurovisão temos, hoje, um certo número de problemas que estão ligados à estrutura geral de financiamento, por exemplo, das televisões públicas que devem ser o refúgio da liberdade de expressão, porque elas existem para que os cidadãos possam ser informados e para os valores não desapareçam”. No início do século XXI e com a mundialização das organizações não-governamentais constata-se que a imprensa continua refém, em alguns países do Mediterrâneo, de certos regimes totalitários, que continuam a existir, mas também de lobbies financeiros.