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Niño Becerra: o crash dos mercados "acontecerá em meados de 2010"

Niño Becerra: o crash dos mercados "acontecerá em meados de 2010"
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Constantino de Miguel, euronews: Professor Niño Becerra – Catedrático de Estrutura Económica da Facultade de Economía IQS da Universidad Ramon Llull, Espanha -, no seu livro prevê precisamente uma quebra dos mercados no ano 2010. Perguntamo-nos se não exagera, tendo em conta que a bolsa se mantém em alta e as previsões são bastante positivas sobre a evolução económica.

Niño Becerra: Criou-se uma situação de esgotamento que fez com que a forma como lidamos com o crédito, o consumo ou a dívida tenha chegado a um limite. A bolsa está a subir devido à especulação e ao dinheiro injectado para salvar os bancos. Creio que é uma questão de tempo, uns dois meses, no máximo, e depois virá a queda.

euronews: Quando acontecerá o crash? Em que mês acontecerá esta situação catastrófica?

N. B.: Creio que esta situação acontecerá em meados de 2010, entre Junho e Agosto.

euronews: Então o melhor é não pensar nas férias…

N. B.: Sinceramente, vai ser complicado pensar em férias este ano. Entre outras coisas, e não só devido à queda dos mercados, porque o orçamento das famílias para as férias vai faltar. Já nem falo do crédito para as empresas. Vai ser muito complicado conseguir liquidez para pagar pequenas coisas. Em Espanha, de acordo com um estudo, 60 por cento das famílias está com problemas para chegar ao fim do mês. Este é um dado significativo.

euronews: Para concluir, disse-me que este será um exame final para a Europa. Se não formos capazes de resolver esta crise será o “salve-se quem puder”. Estamos numa situação assim tão grave?

N. B.: A Europa, desde o Tratado de Roma de 1957, anda às voltas, de um lado para o outro, tentando fazer coisas. É verdade que os Estados membros conseguiram feitos importantes, como o Mercado Comum, mas agora a situação é muito grave. Existe um excesso de capacidade de produção e de mão de obra que tem de ser coordenada. Do meu ponto de vista, quando as coisas correram bem à Europa não houve unidade, e quando as coisas vão mal também não existe. Penso que quando tudo correr realmente mal, a Europa terá o seu exame final e a última oportunidade. Ou seja, ou a Europa se une agora ou não se unirá nunca.