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A culpa da crise é do euro, dizem os gregos

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A culpa da crise é do euro, dizem os gregos

A culpa da crise é do euro, dizem os gregos
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O aumento do IVA veio agravar drasticamente o custo de vida, na Grécia.

No mercado da Varvakios, no centro de Atenas, a classe média sofre os rigores da crise.

O presidente da associação de comerciantes não acredita que o agravamento de um imposto cego, como IVA, resolva os problemas.

Mas o pecado original tem outro nome. Chama-se euro.

“O euro é uma catástrofe, para nós todos”, lamenta uma utente do mercado

A introdução provocou um surto inflacionista incontrolável.

A escalada de preços é incontrolável. Um ramo de salsa custa 40 cêntimos, o equivalente a 160 drakmas, a antiga moeda grega. Em 2001 custava 20. Oito vezes menos. As contas foram feitas, por um comerciante:

“Pegue, por exemplo, na salsa, antes da adopção do euro, cotava nos 30 drakmas, agora está a 40 cêntimos do euro. É uma bela diferença”.

Os gregos são, em regra, pessoas descontraídas. Mas a pressão económica está a tornar-se insuportável.

Por isso, reagem negativamente ao plano de austeridade que quer, este ano, reduzir o défice em quatro pontos percentuais. Uma terapia de choque, que está a deixar a sociedade, em estado de depressão.

Têm consciência da crise, mas nem todos percebem as reformas, que o governo se propõe fazer.

Se a doença é má, a cura não parece ser melhor. E ninguém parece acreditar que o futuro seja diferente do presente.

“Eu percebo a reacção da maioria do Povo grego, mas ao mesmo tempo, eu penso que o Povo grego percebe que a reforma estrutural foi necessária, neste momento, porque sem a reforma, em poucos anos, a Grécia estaria numa situação trágica”, diz um ateniense.

E a mulher completa:

“Por exemplo, nós saíamos duas vezes por semana, porque temos uma criança pequena, mas agora estou convencida que vamos sair apenas uma vez. Um segundo exemplo: temos um carro com nove anos. Nós queríamos trocar o carro, mas neste momento, não podemos, vamos ter de ficar com este, e toda a gente tem de trocar os seus hábitos de vida”