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Ban Ki-moon: "A comunidade internacional está empenhada em construir um mundo sem armas nucleares"

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Ban Ki-moon: "A comunidade internacional está empenhada em construir um mundo sem armas nucleares"

Ban Ki-moon: "A comunidade internacional está empenhada em construir um mundo sem armas nucleares"
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Com a questão do nuclear na ordem do dia, o secretário-geral da ONU visitou Semipalatinsk, na estepe do Cazaquistão. Esta área de dezoito mil quilómetros quadrados foi o principal local de testes atómicos da União Soviética. Acolheu centenas entre 1949 e 1989. Os efeitos humanos e ambientais ainda hoje se fazem sentir. Foi neste local simbólico que Ban ki-moon falou com a euronews e deixou um apelo à abolição das armas nucleares.

Denis Loktev, euronews: Visita este local palco de 456 explosões nucleares. Como se sente?

Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU: Para mim é uma experiência séria pisar o “ground zero”, onde foram levados a cabo tantos testes nucleares. Disseram-me que foram realizados aqui 456 testes nucleares, com terríveis efeitos na vida humana e com consequências ambientais. Não devemos repetir este género de herança, é uma herança terrível. Devo louvar a extraordinária liderança de Nazabayev, presidente do Cazaquistão, que teve a coragem de fechar este local e tornar a Ásia Central numa região livre de armas nucleares. É um marco.

euronews: Por falar de grandes acontecimentos. A sua visita coincide com a assinatura de um novo tratado START. Os Estados Unidos e a Rússia estão a reduzir os respectivos arsenais nucleares, mas possuem suficientes armas atómicas para acabar com toda a vida do planeta. Estamos mais seguros agora?

Ban Ki-moon: A comunidade internacional está empenhada em construir um mundo sem armas nucleares e sem proliferação. Isto é o que temos que concretizar sem quaisquer atrasos. Na próxima semana, em Washington, vou lançar um apelo aos líderes de países com armas nucleares. Será na cimeira sobre Desarmamento Nuclear. Vou pedir que assumam a responsabilidade política e moral… não precisamos de mais armas nucleares.
Desse ponto de vista, devo louvar os presidentes russo e norte-americano pela assinatura do novo tratado START. É um recomeço e espero que o exemplo seja seguido por outros dirigentes de potências nucleares.

euronews: Pensa que este novo tratado START vai reflectir de alguma maneira os esforços de não-proliferação, sobretudo, em relação ao dossiê iraniano?

Ban Ki-moon: Estou convencido que este desenvolvimento encorajante na área do desarmamento nuclear e da não-proliferação terá certamente um impacto positivo nos esforços em curso e futuros para construir um mundo sem armas nucleares, incluindo o programa de desenvolvimento nuclear do Irão.

euronews: Falemos agora do seu périplo pela Ásia Central. Chegou aqui depois de visitar quatro outras repúblicas da região, conhecidas por não respeitarem os direitos humanos e os valores democráticos. Até agora, os dirigentes ignoraram as críticas. Pensa que vão ignorar as suas?

Ban Ki-moon: Como secretário-geral das Nações Unidas tenho uma responsabilidade acrescida, um mandato para proteger e promover os direitos humanos. Os direitos humanos são valores aceites universalmente. Exortei, sem ambiguidade, todos os líderes da Ásia Central a protegerem os direitos humanos, protegerem os mais vulneráveis e a implementarem todas as convenções e acordos internacionais que assinaram. Esta é uma obrigação e um imperativo moral: todos os líderes devem compreender que os direitos humanos são um princípio aceite a nível universal e qual é o valor do ser humano.

euronews: Qual foi a reacção a esse apelo?

Ban Ki-moon: Estou convencido que ouviram perfeitamente a minha mensagem, como secretário-geral das Nações Unidas, para promoverem e implementarem todas as obrigações relativas às leis e aos tratados internacionais sobre direitos humanos.