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Causa da revolta dos jovens espanhóis

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Causa da revolta dos jovens espanhóis

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Não é por acaso que os protestos dos jovens espanhóis começaram pouco antes das eleições autónomas e autárquicas. Nos cartazes, expõem as razões: sem apartamento, no desemprego…

Também querem mudar a lei eleitoral.

Denunciam um sistema eleitoral injusto: a lei D ‘Hondt (representação proporcional) que beneficia os dois grandes partidos e os nacionalistas, e penaliza as pequenas formações, por estimular a formação de coligações.

Com 45% de desemprego entre os jovens de 18 a 25 anos, o futuro é mais do que sombrio, apesar dos estudos feitos, como Violeta, licenciada em biotecnología:

“- Não imagino o meu futuro em Espanha. Vejo-me em qualquer outro sítio. Aqui as coisas estão muito difíceis. E também gostava de viajar para o estrangeiro. Por isso vou continuar a estudar, mas não em Espanha, isso de certeza.”

Mas, para os analistas, o mal-estar espanhol não é apensas económico.

Miguel Murado, analista político:

“- Acho que se trata, principalmente, de um protesto político, mais como no mundo árabe do que como na Grécia, onde se protestava claramente contra as medidas de austeridade do governo. Aqui, o governo aprovou medidas de austeridade mas passou um ano, por isso não acho que seja essa a razão principal.”

Em maio de 2010, o governo de Jose Luis Rodríguez Zapatero adotou as medidas de austeridade e de pois aprovou uma reforma para flexibilizar o mercado laboral, mas os espanhóis ainda não vêem resultados.

O desemprego afeta 21,3% da população ativa…uma situação terrível para 4,9 milhões de espanhóis, pois é sinal de que a economia não consegue descolar: o crescimento mal toca o positivo (0,8% do PIB), mas Espanha tem de reduzir imperativamente o déficit público:

Em 2010 o défice nacional representava 9,24% do PIB, e o das autonomias o 2,83% do PIB.

O objetivo é reduzir o défice nacional para 3% e o das autonomias para 1,1% do PIB, até 2013.

As regiões autónomas gastam 36% do orçamento com despesas púbicas, nomeadamente nos setores da educação e saúde.

Agora, os partidos que obtiveram a vitória nas eleições têm de realizar a difícil tarefa de reduzir o déficit, que segundo alguns, foi deixada para depois do escrutínio.