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Dois filmes polacos, em festival checo

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Dois filmes polacos, em festival checo

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Um olhar para dois filmes polacos, no Festival de Cinema de Karlovy Vary.

Sete filmes polacos foram seleccionados para a edição deste ano. Quatro deles estão em competição, nas diversas secções, incluindo o documentário.

Nesta disciplina, o jovem cineasta polaco Michal Marczak apresentou a sua primeira obra: “Na Frionteira da Rússia”.

O filme, que tem uma metragem de uma hora e 10 minutos, é um olhar sobre o norte da Rússia.

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Tudo filmado na costa do Ártico gelado, sob o olhar de cinco soldados veteranos e um um recruta. O cinestas explica que a ideia surgiu da leitura de Kapuscinski:

“A ideia do filme veio de um livro de Kapuscinski, sobre Rússia, que eu li, quando tinha 18 anos. Não havia nenhum metal nos anos sessenta na Rússia, porque a maior parte foi usada para fazer o arame- farpado que protegia as fronteiras. O filme era um projeto polaco-russo que devia mostrar como as gerações de 50 anos olham para a realidade de hoje”.

Um dos depoentes do filme é Alexei, um recruta, com 19 anos. Foi colocado na fronteira norte da Rússia.

É um dos poucos postos avançados no oceano Ártico, que ainda resta.

Com a Terra coberta de um manto espesso de neve, sabe que o ser humano que tem, mais próximo de si, está a centenas de milhas. Para além dos outros cinco soldados que dividem a missão com ele.

Alexei tem de guardar uma fronteira deserta e isso começa a parecer-lhe absurdo.

O cineasta demorou três anos a concluir o filme. Mas grande parte desse tempo foi uma longa espera, pela autorização para filmar, um posto avançado.

Outro problema foi a resistência ao frio de 40 graus negativos. Resistência dos homens e dos equipamentos. Mas não foi o principal:

“O problema mais grave era psicológico – tivemos razões para isso. Havia também problemas de língua – nós não compreendiamos os russos. Fizemos tudo o que pensámos, mas de forma muito nervosa, sem saber de que maneira. Usámos os nossos argumentos. Houve momentos duros. Vivemos todos no mesmo quarto e tivemos de nos acomodar, de qualquer forma”.

Michal Marczak estudou produção e multimeios, no Instituto das Artes da Califórnia, Filosofia, na Universidade de Varsóvia e Fotografia de Cinema na Academia de Belas Artes, em Poznan, uma cidade do oeste da Polónia.

Mas o mais importante, para o seu objetivo, era a Escola Superior de Andrzej Wajda, em Varsóvia, para estudar cinema.

O filme já foi premiado, no Festival de Cinema Documental de Varsóvia.

Outro filme, outro realizador polaco. Andrzej Baranski, estreou o seu filme “Heritage” , no festival na República Checa.

“Heritage” centra-se em Zbyszek, que vive numa pequena aldeia do leste polaco. O protagonista é desempenhado por Rafal Zawierucha.

Um homem morreu, pelos excessos do álcool e a mulher multiplica esforços, para solver os problemas que lhe sobram.

É muito ambiciosa, mas todas as tentativas para escapar a esta vida dura vão falhando.

Um retrato da ruralidade do leste polaco, fustigado pelo desemprego e pelo alcoolismo. E ainda, por uma Igreja Católica intolerante.

“Por um lado – explica o cineasta – é um filme muito forte e crítico, mas é, ao mesmo tempo, uma maneira especial de mostrar simpatias. A história é escrita a partir de uma posição, no interior de um grupo social, porque descreve os seus problemas, sem nunca tentar escondê-los”.

Para o jovem ator, Rafal Zawierucha, ainda estudante de teatro em Varsóvia, o papel de Zbyszek era um desafio.

“É como uma pessoa que seja atirada para situações diferentes, ele é comentador, observador mas não apenas observador que não tem nada a ver com a situação. Ele quis participar nela, mas por outro lado, está receoso, por não ter tempo para fazer qualquer coisa, por ela”.

Ajudado pela cinematografia a preto e branco de Jacek Petrycki, Andrzej Barański controla e descreve medos e desejos universais, num filme feito dos caráteres mais interessantes do neorealismo.

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