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Prodi quer agência de notação europeia independente

Prodi quer agência de notação europeia independente
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Em estrevista à euronews, o antigo primeiro-ministro italiano e antigo presidente da Comissão Europeia defendeu a criação de uma agência de notação financeira europeia. Mas independente de Bruxelas.
 
Simona Volta -  Estamos no princípio do fim do euro?
 
Romano Prodi – Claro que não. Ninguém está interessado no desaparecimento do euro. Sobretudo os alemães.
 
SV – Disse que a Alemanha não tem interesse no desaparecimento do euro. O que quer dizer com isso?
 
RP – Desde que há o euro, é evidente que nem a Itália, nem a França, nem os outros países podem desvalorizá-lo. Assim, a Alemanha pode estabelecer um programa económico a longo termo, sem defrontar os obstáculos que encontrava antes. Os alemães sabem bem que seria um autêntico desastre para eles
 
SV – Presidente Prodi, se tivesse de advertir a Europa, o que diria?
 
RP – A crítica é sempre a mesma, A falta de unidade, o fato de não compreenderem que a
História exige uma Europa forte e unida.Temos dados macroeconómicos infinitamente melhores que os americanos. Os americanos não estão a ser atacados, nós estamos. Porquê? Porque estamos divididos.
 
SV – Presidente Prodi, sobre a atual situação europeia. As decisões das agências de notação americanas,em 2008, não deram o alerta sobre determinadas situações, como no caso do Lehman Brothers. Agora, com toda a tranquilidade desclassificam a economia de países europeus. O que se pode fazer para limitar o seu impacto nos mercados e o que pensa da proposta da Chanceler Angela Merkel para a criação de uma agência de notação financeira europeia?
 
RP – Desejo mais a concorrência entre as agências de notação. Se for criada uma agência de notação europeia, é muito melhor. Não poderá ser uma agência oficial, porque perderia toda a autoridade. Mas se for criada uma agência de notação, seja ela europeia, chinesa ou indiana, que avalie a Europa, será muito melhor As agências americanas fazem e desfazem, segundo os interesses políticos, ou simplesmente, segundo os sentimentos políticos.
 
SV – Presidente Prodi, os olhos de Bruxelas estão postos na Itália, A manobra financeira preparada pelo governo de Berlusconi visa o equilíbrio orçamental daqui até 2014. Acha isso possível?
 
RP – O objetivo é possível, mas eu teria começado com maior coerência, já a partir deste ano.
Deixar para 2013-2014 as medidas mais duras, que apesar de tudo são possíveis não é, de todo, uma prova de inteligência política. Isso não acalmou os mercados internacionais
 
SV – A medida financeira será suficiente para relançar economicamente o país?
 
RP – O desenvolvimento não poderá ser relançado rapidamente se não for acompanhado de reformas estruturais que não façam parte das medidas financeiras. Esta manobra quer dizer que os bombeiros apagaram o fogo. Depois, para construir uma nova casa, é necessário tempo. Oxalá haja também uma política italiana mais forte.