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Fim de 51 anos de terror da ETA

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Fim de 51 anos de terror da ETA

Fim de 51 anos de terror da ETA
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“A nossa será uma democracia sem terrorismo, mas não uma democracia sem memória.”

A homenagem às cerca de oito centenas e meia de vítimas mortais de ETA foi a primeira reação do presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, ao anúncio, instantes antes, da organização terrorista:

“A ETA decidiu cessar definitivamente a atividade armada”.

A frase, pronunciada por um de três etarras de cara tapada, marca o fim de 51 anos de violência.

O primeiro atentado grave deu-se a 20 de dezembro de 1973, em Madrid. Uma bomba acabou com a vida do presidente do governo e braço direito de Franco, o Almirante Luis Carrero Blanco.

O fim da ditadura e a chegada da democracia não acabaram com o terrorismo. Pelo contrário: com a amnistia de outubro de 1977, muitos dos prisioneiros libertados reintegraram a ETA.

A década de 80 foi a dos anos de chumbo, com atentados indiscriminados quase todos os dias e a utilização frequente de carros armadilhados. O atentado do hipermercado Hipercor, em Barcelona, causou 21 mortos, além de 45 feridos, muitos dos quais mutilados. As vítimas de ETA passaram a ser civis e não somente militares e polícias.

A ETA fez explodir um carro armadilhado à passagem de uma carrinha militar que transportava apenas civis, seis, que morreram por trabalhar para o exército.

A partir de então, nenhum coletivo é poupado à violência de ETA. Os principais alvos são os políticos, principalmente os vereadores do PS e do PP. Em 1995, José María Aznar, então chefe da oposição, escapou ileso a um atentado graças ao carro blindado.

Em 1996, um assassino da ETA baleou mortalmente o ex-presidente do Tribunal Constitucional, Francisco Tomás Valente, no gabinete que tinha na Universidade em Madrid.

A morte desta personalidade independente da transição democrática pôs a nu a estratégia etarra de “socialização do sofrimento” para forçar a negociação com o Estado espanhol.

No ano seguinte, em 1997, o assassínio de Miguel Angel Blanco marcou uma era. O jovem conselheiro municipal do PP, sequestrado pela ETA, era a moeda de troca de libertação de vários presos etarras, em 48 horas.

Foi encontrado antes que o prazo expirasse, numa floresta, ferido de morte, com duas balas na cabeça.

Milhões de espanhois manifestaram publicamente a raiva contra a ETA. E gritaram mais alto do que nunca: ETA não.