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Referendo pode ser "tiro ao lado" para Papandreou

Referendo pode ser "tiro ao lado" para Papandreou
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O chefe de Governo da Grécia foi uma dos protagonistas da longa cimeira da União Europeia para encontrar um plano para salvar o euro. A 27 de Outubro, Georges Papandreou respirou de alívio com o perdão de 50% da dívida soberana e com um novo empréstimo de 100 mil milhões de euros.

Mas a previsível contestação popular a mais medidas de austeridade, levou o primeiro-ministro grego a propor um referendo. Uma proposta que causou ondas de choque na cena política de Atenas, com a dissidência de deputados do partido socialista – no poder – e ao nível internacional, com críticas da França e da Alemanha.

O analista Janis Emmanouilidis considera que é uma proposta arriscada: “A decisão do primeiro-ministro Papandreou de convocar um referendo foi realmente surpreendente. Com esse passo, tenta acalmar a situação, mas a questão é saber se vai ser bem sucedido. Se o referendo – caso tenha lugar – tiver um resultado positivo, tal não significa que a Grécia regresse a um clima calmo e de estabilidade. Mesmo depois do referendo, o país pode continuar politicamente instável”.

Manifestações e greves marcam a vida dos gregos há longos meses e o novo pacote de ajuda vai implicar mais congelamento de salários, cortes nas pensões, layoff e posterior despedimento de 30 mil funcionários públicos.

Contudo, o primeiro-ministro sabe que a maioria dos gregos quer permancer na Zona Euro e jogou todo o seu peso político numa manobra surpreendente antes do Parlamento grego votar uma moção de confiança, dia 4 de novembro.

“O problema – que é comum nos referendos – é que muitas vezes as pessoas não respondem ao que é perguntado. A sua resposta é antes ou “sim” ou “não” ao governo, uma forma de mostrar o “cartão vermelho” ao primeiro-ministro. Essa possibilidade não pode ser excluída na actual situação”, acrescenta o analista do European Policy Center.

Um governo de unidade nacional sugerido por um membro do Pasok (no poder), ou eleições antecipadas como quer o partido conservador, na oposição, são pedidos que ecoam em Atenas.

Mas Papandreou não estará na capital grega durante o calor da discussão: o primeiro-ministro enfrenta a reunião do G20, na cidade francesa de Cannes, onde deverá explicar aos homológos um anúncio que fez estremecer as bolsas e afundar um pouco mais o euro.

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“A decisão do primeiro-ministro Papandreou de convocar um referendo foi realmente surpreendente. Com esse passo, tenta acalmar a situação, mas a questão é saber se vai ser bem sucedido. Se o referendo – caso tenha lugar – tiver um resultado positivo, tal não significa que a Grécia regrese a um clima calmo e de estabilidade. Mesmo depois do referendo, o país pode continuar politicamente instável”.

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“O problema – que é comum nos referendos – é que muitas vezes as pessoas não respondem ao que é perguntado no referendo. A sua resposta ée antes ou sim ou nao ao governo, uma forma de mostrar o cartão vermelho ao primeiro-ministro. Essa possibilidade não pode eser excluída na actual situação”.