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Apego dos militares ao poder pode criar "espiral de violência" no Egito

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Apego dos militares ao poder pode criar "espiral de violência" no Egito

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Depois da queda de Hosni Mubarack, a 11 de fevereiro passado, o povo egípcio confiou nos militares para liderarem o processo de transição da ditadura para a democracia. Mas nove meses depois, a população voltou às ruas para contestar o apego ao poder que o exército parece alimentar.

“A política de repressão continuou após a queda de Mubarak e o Conselho Militar quer agora apresentar um projeto de lei que permitiria aos militares egípcios funcionarem numa espécie de estado paralelo ao estado de direito, o que é inaceitável”, disse à Euronews Bechara Khader, especialista em política de Médio Oriente e professor na Universidade de Louvain, na Bélgica.

A repressão da nova onda de manifestações na praça Tahir causou três dezenas de mortos e mais de um milhar de feridos. A Amnistia Internacional (AI) teme que o general Mohamed Hussein Tantawi, que dirige o país, entre numa medição de forças com os civis.

“Até agora, observávamos eventos e reações relativamente pacíficos. Mas vemos que há uma tendência de endurecimento, nomeadamente por parte dos manifestantes e essa tendência coloca um perigo real. Há o risco de uma espiral de violência entre manifestantes e militares, já que estes últimos não estão habituados a gerir pacificamente os problemas, como os que surgem em democracia, ou em situações de revolta e reivindicação como estas”, afirma Phillippe Hensmans, da AI.

As eleições parlamentares de 28 de novembro permitirão criar a nova constituição. Mas o Conselho Militar quer adiar as presidenciais até 2013, o que lhe permite manter o poder de nomear o governo e o presidente até então.